Bernardo Pascowitch
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Bernardo Pascowitch

Entusiasta do bitcoin e fundador da fintech Yubb, conta com mais de uma década no ecossistema de tecnologia e inovação no Brasil.

Euforia voltando ao bitcoin: a alta vai continuar?

Bitcoin a US$ 80 mil mostra que os investidores estão animados, mas os fundamentos ainda pedem cautela

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Quando acompanhamos o bitcoin e o mercado de criptoativos, as barreiras psicológicas dos números redondos sempre exercem um fascínio quase magnético sobre os investidores: US$ 50 mil, US$ 100 mil, US$ 150 mil, US$ 200 mil...são como números mágicos que atraem grande atenção, expectativa e debates.

No momento atual, ver o bitcoin ultrapassar a marca dos US$ 80 mil pela primeira vez desde janeiro de 2026 disparou, mais uma vez, o gatilho da euforia.  

Nas comunidades de investidores e nas redes sociais, a pergunta é uma só: será que o "inverno cripto" finalmente acabou?

Embora o movimento de alta seja um grande alento para quem atravessou meses difíceis, ainda é cedo para afirmar que as quedas teriam ficado para trás. Apesar de a alta ser real, as bases que a sustentam podem ser mais frágeis do que parecem à primeira vista. 

Para entender se estamos diante de uma reversão de tendência ou apenas de um "rali de alívio", precisamos olhar para o que está impulsionando o preço.

Essa subida parece estar sendo alimentada majoritariamente pelo mercado de derivativos, e não por compras no mercado à vista (o chamado mercado "spot").

Derivativos são contratos que acompanham o preço do bitcoin e permitem apostar na alta ou na queda com uso de alavancagem, ou seja, com capital emprestado para ampliar os resultados.

O problema de uma alta puxada por derivativos é a maior volatilidade. Quando o preço sobe com compras no mercado à vista, cria-se um suporte mais consistente, que tende a sustentar melhor o valor.

Já quando a alta vem de apostas alavancadas, qualquer queda pode provocar uma cascata de liquidação: os investidores são obrigados a vender suas posições rapidamente para cobrir garantias, o que empurra o preço para baixo com a mesma velocidade com que ele subiu.

Portanto, essa subida atual tem um caráter mais especulativo e exige atenção maior ao risco.

Somado a isso, o cenário macroeconômico global continua cheio de incertezas. Como já discutimos em artigos anteriores, o conflito no Oriente Médio e a pressão constante sobre os preços do petróleo mantêm a inflação americana em níveis desconfortáveis.

Enquanto o Fed não tiver segurança para cortar os juros de forma consistente, a liquidez global continuará limitada.

O investidor institucional, que é quem realmente sustenta ciclos de alta perenes, raramente entra com força total em ativos de risco quando os títulos públicos americanos ainda oferecem retornos elevados com risco quase zero.  

A esse respeito, na última reunião do Fed realizada na última quarta-feira (29), vimos que os membros do comitê continuam preocupados com a inflação americana acima da meta.

Sabemos também que os EUA passarão pela alteração do presidente do seu banco central, o que poderá alterar os rumos da política monetária da maior economia do mundo. 

Sob a ótica da análise técnica, o bitcoin enfrenta a média móvel de 200 dias. De forma didática, essa média é o preço médio do ativo nos últimos 200 dias de negociação.

Ela funciona como um divisor de forças no gráfico. Em geral, enquanto o preço permanece abaixo dessa linha, o mercado segue em tendência de baixa. No momento, o bitcoin testa essa resistência.

Romper esse nível é difícil e, muitas vezes, o preço testa essa região apenas para ser rejeitado e voltar a cair. Sem um rompimento claro e consolidado acima dessa média, a alta atual pode ser apenas o que chamamos de "armadilha de alta".

Outro fator fundamental que o investidor precisa ter em mente é o tempo. O mercado de criptomoedas é cíclico e a história nos ensina análises importantes.

Olhando para os ciclos anteriores, um "inverno cripto" costuma durar, em média, cerca de 12 meses. Se considerarmos que o atual ciclo de correção e dificuldades começou em outubro de 2025, estamos apenas na metade do caminho.

Os primeiros seis meses de um mercado de baixa são marcados por tentativas frustradas de recuperação. Acreditar que o inverno cripto acabou em apenas um semestre seria ignorar todo o padrão histórico de quatro anos que o bitcoin vem seguindo desde a sua criação. 

Claro que estamos em um mercado de elevada imprevisibilidade e incertezas. Não podemos cravar comportamentos ou tendências de mercado. Isso seria irresponsável e ingênuo.

Porém, analisando o passado do bitcoin e das criptomoedas, bem como a história dos ciclos de mercado dos criptoativos, vemos que as probabilidades ainda jogam a favor das quedas.  

Com base em todo o exposto, o cenário de espera e cautela continua sendo o mais prudente no momento atual.

Para o investidor que acredita no potencial tecnológico do bitcoin para os próximos anos, a estratégia de aportes graduais e semanais continua fazendo mais sentido. 

Comprar um pouco por semana permite que você aproveite as altas sem se desesperar caso o cenário geopolítico no Oriente Médio piore ou o Fed decida manter os juros altos por mais tempo. É uma forma de calibrar o emocional e focar na acumulação de ativos de valor ao longo do tempo. 

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