Caio Junqueira
Blog
Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Assessor comercial de Trump ataca escritório americano consultado por CNI

Representantes da indústria brasileira irão se reunir com autoridades dos EUA no início de setembro

Compartilhar matéria

O conselheiro comercial da Casa Branca, Peter Navarro, atacou uma consultoria americana que elaborou um documento para a CNI (Confederação Nacional das Indústrias) vendendo acesso a autoridades americanas.

Em tuíte nesta semana, Navarro oferece um caminho aos seus seguidores para acessar o documento e diz:

 

O documento, em inglês, tem 13 páginas e apresenta a CNI os serviços da Brownstein Hyatt Farber Schreck, um dos principais escritórios de lobby dos Estados Unidos.

No texto, apresenta “à Confederação Nacional da Indústria (CNI) uma proposta para o serviço de relações governamentais federais”.

“O Brownstein reconhece a Confederação Nacional da Indústria como uma voz de destaque para os interesses industriais brasileiros em um momento crucial da política comercial global. Com o forte foco do governo Trump no nacionalismo econômico, na aplicação de tarifas e no realinhamento do comércio bilateral, as indústrias brasileiras enfrentam maior exposição à evolução das medidas comerciais dos EUA. À medida que o setor industrial brasileiro trabalha para salvaguardar o acesso ao mercado e a estabilidade da cadeia de suprimentos, posicionar a CNI como uma voz confiável da indústria e parceira estratégica dos Estados Unidos será fundamental”, afirma.

A ideia dos lobistas descrita no documento é adaptar “nossa abordagem para refletir não apenas as prioridades da política industrial da CNI, mas também os objetivos econômicos estratégicos mais amplos do governo brasileiro”.

Afirmam ainda que a consultoria “mantém fortes relações com o Presidente Trump e com as autoridades e agências responsáveis ​​pela elaboração e implementação de suas políticas tarifárias”.

E sugere acesso à equipe de Trump, nomeando os assessores a que teria acesso, dentre os quais Navarro.

“Trabalharemos para complementar os esforços da CNI, facilitando o engajamento adicional de alto nível com a Casa Branca, o USTR, o Departamento de Comércio e o Tesouro, mas também com autoridades-chave do Conselho de Segurança Nacional e do Conselho Econômico Nacional, que também participam das discussões sobre tarifas. Também trabalharemos para garantir que seu engajamento de alto nível se traduza em políticas tarifárias e comerciais que beneficiem os interesses da CNI e do governo brasileiro, por meio de um engajamento contínuo com os indicados políticos e funcionários de carreira responsáveis ​​pela implementação dessas políticas. É importante colocá-lo em contato com os principais tomadores de decisão do governo Trump. Com isso, ajudaremos você a se envolver diretamente com os principais líderes do governo, conforme determinado por nossa estratégia”, afirma.

O custo do serviço é de US$ 50 mil mensais em um contrato inicial de 12 meses.

A CNI informou à CNN que não fechou contrato com a Brownstein Hyatt Farber Schreck, mas com outra consultoria e outro escritório de advocacia.

A ideia é facilitar a defesa de interesses da indústria brasileira em meio ao tarifaço de Trump e auxiliar na missão que a CNI fará aos Estados Unidos, nos dias 2 e 3 de setembro.

Segundo a CNI, a comitiva será composta por dirigentes de associações de diversos setores — brinquedos (Abrinq), máquinas e equipamentos (Abimaq), têxtil (Abit), alumínio (Abal), carnes (Abiec), madeira (Abimci), café (Cecafé), ferramentas (ABFA), cerâmica (Anfacer), rochas (CentroRochas), couros (CICB), entre outros —, além das federações estaduais da Indústria de Goiás (Fieg) e de Santa Catarina (Fiesc). Empresas como Tupy, Embraer, Stefanini, Novelis e Siemens Energy.

Também estão previstas reuniões com escritórios de advocacia e lobby, com a Embaixada do Brasil em Washington, na US Chamber of Commerce e com autoridades do governo americano.

A agenda inclui ainda uma plenária com empresários dos dois países e participação em audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), no âmbito da investigação da Seção 301 aberta lelo governo americano para apurar eventuais práticas anticomerciais do Brasil.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais