Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 20 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os 3 Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

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Impasse gera defesa de programa de trabalho pós-COP sobre financiamento

Presidência brasileira tem buscado uma solução intermediária para tópicos sensíveis das discussões

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O impasse nas negociações da COP30 levou um grupo de países a defender que o ponto mais difícil dos quatro que estão sendo tratados seja objeto de um programa de trabalho de três anos.

Trata-se da regulamentação do artigo 9.1 do Acordo de Paris, que prevê que os países ricos devam financiar a transição energética dos países pobres e em desenvolvimento.

A ideia lançada pelo chamado Grupo Árabe foi de que as discussões para implementar o financiamento durem três anos e inclua também indenizações por prejuízos já causados pelo aquecimento global, o que no contexto da COP se chama de "perdas e danos".

Ele é um dos três pilares quando se trata de medidas de combate ao aquecimento global, ao lado de mitigação e de adaptação.

O Grupo Árabe é formado por 22 países que integram a Liga Árabe e é um dos blocos que integram as negociações da COP.

A ideia do programa de trabalho foi acatada por outros dois blocos, o chamado Grupo Africano, formado por 54 países do continente, e os LMDC, sigla para "Like-Minded Development Countries", integrado pelos países do Sul Global.

A proposta chama a atenção porque a regulamentação do artigo 9.1 é a principal demanda desse grupo de países e ao propor que seja criado um programa de trabalho de três anos, mostra o tamanho do impasse em Belém.

Em um comunicado na noite deste sábado, o secretário-executivo da UNCC, Simon Stiell, pediu diálogo entre as delegações.

"O tempo está se esgotando. Eu disse isso no ano passado, mas para receber, é preciso dar. E, sendo honesto, precisamos dar mais. As questões que podem não ser prioridades para você são claramente questões e prioridades para outras nações. O processo apresentou resultados expressivos em todas as COPs recentes, e esta deve fazer o mesmo. E isso significa ouvir e compreender as questões que são mais importantes para outras nações e grupos neste processo. Se você não se alinhar e encontrar um terreno comum em questões importantes para os outros, a COP30 não apresentará resultados que demonstrem que Paris está funcionando. É hora de buscar o outro. De nos encontrarmos nos corredores", afirmou.

A CNN mostrou nesta semana como justamente essas divergências entre países ricos e países em desenvolvimento se acentuaram já nos primeiros dias da COP.

Também mostrou como a presidência brasileira tem buscado uma solução intermediária para os quatro pontos divergentes justamente para evitar que a COP de Belém seja um fiasco.

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