Liderança empresarial aponta ausência de estratégia diplomática do Brasil
Presidente da Abiplast defende que país tenha um sistema permanente de prevenção e gestão de conflitos comerciais

O presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), José Ricardo Roriz Coelho, disse à CNN na manhã desta quarta-feira (3) que o maior motivo para o novo tarifaço foi a ausência de uma estratégia diplomática e comercial brasileira.
“O problema não é a existência da investigação conduzida com base na Seção 301 pois trata-se de um instrumento legítimo da legislação comercial norte-americana. O problema foi a ausência de uma estratégia diplomática e comercial preventiva enquanto a investigação ainda estava em curso”, afirmou Roriz, ex-vice-presidente da Fiesp e uma das lideranças empresariais mais atuantes do país.
O setor de plásticos ao lado do de máquinas e de equipamentos é dos mais afetados pelo novo tarifaço segundo o próprio Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio e conta com 14,6 mil empresas no Brasil gerando 404,6 mil empregos diretos.
De acordo com ele, o Brasil não demonstrou capacidade de articulação como a de outros países para negociar com os Estados Unidos.
“O processo se desenvolveu ao longo de aproximadamente um ano. Durante esse período, importantes parceiros comerciais dos Estados Unidos, como a União Europeia, a Índia e a Coreia do Sul, mantiveram canais permanentes de negociação e buscaram construir soluções antes da conclusão dos trabalhos. O Brasil, infelizmente, não demonstrou a mesma capacidade de articulação. Em vez de atuar preventivamente, aguardou a fase final do processo sem apresentar uma proposta robusta de acomodação comercial que pudesse reduzir riscos para a indústria nacional”.
Para ele, “a pergunta que precisa ser feita é simples: se outros países negociaram durante o processo, por que o Brasil optou por esperar a decisão final?”
Sobre os danos ao seu setor, ele disse que “o setor de transformação plástica está presente em praticamente toda a cadeia produtiva brasileira” e que “uma eventual perda de competitividade não afeta apenas as empresas exportadoras mas fornecedores, transportadores, distribuidores, prestadores de serviços e milhares de trabalhadores em diversos segmentos da economia”.
“Não estamos discutindo apenas uma tarifa de 25%. Estamos discutindo a preservação de empregos industriais qualificados, exportações de alto valor agregado e a capacidade do Brasil de negociar estrategicamente com seu segundo maior parceiro comercial”, complementou.
Roriz também defendeu que o Brasil tenha um sistema permanente de prevenção e gestão de conflitos comerciais.
“Mais do que discutir uma medida específica, este episódio evidencia a necessidade de o Brasil criar um sistema permanente de prevenção e gestão de conflitos comerciais internacionais, capaz de monitorar riscos, mobilizar rapidamente os órgãos de governo e dialogar com os principais parceiros comerciais antes que decisões potencialmente prejudiciais sejam tomadas”, declarou.
“Em um ambiente global cada vez mais competitivo, proteger a indústria brasileira não significa fechar mercados. Significa garantir que o país esteja presente nas mesas de negociação, defendendo seus interesses econômicos, seus investimentos e os empregos de qualidade gerados pela indústria nacional”, concluiu.



