Queda de Maduro amplia atração de investimentos na Venezuela
Empresários enxergam novas oportunidades em energia, infraestrutura e agronegócio no país sul-americano

A queda do ditador Nicolás Maduro no começo do ano ampliou o interesse de empresários na Venezuela, a despeito de o regime chavista ainda ser mantido sob o comando de Delcy Rodríguez.
A começar pela própria Petrobras, que deve ser tema da conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A leitura de empresários é de que esse interesse da Petrobras apenas confirma uma tendência observada desde a queda de Maduro.
"O que já se observa é uma aceleração das mudanças estruturais que estavam em curso, especialmente no que se refere à modernização do marco jurídico e regulatório da indústria do petróleo. Após o início de janeiro, percebemos um movimento mais intenso de ajustes internos, combinado com eventos externos relevantes, como a emissão das chamadas General Licenses pelo governo dos Estados Unidos, por meio do OFAC [Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros]. Essas licenças permitem maior participação de empresas internacionais, restabelecem relações bancárias via sistema SWIFT e autorizam a comercialização de petróleo para países fora da lista de sanções americanas", afirmou à CNN o empresário Paulo Victor Buzanelli, chairman da Alvorada Oil & Gas.
Ele disse ainda que "esse novo contexto cria condições mais próximas da normalidade operacional da indústria, o que tende a destravar investimentos, tecnologia e financiamento – pontos-chave necessários para o investidor apoiar a recuperação do setor energético venezuelano".
De acordo com ele, o movimento de atração de interesse empresarial na Venezuela se dá em diversas frentes. "Esse é o momento em que observamos o maior interesse de fundos, bancos, empresas e investidores internacionais desde que atuamos no país", declarou.
A percepção é compartilhada também pelo venezuelano Tomás Alejandro Guzmán, diretor de Relações Governamentais e Institucionais da K-Lab, uma empresa de tecnologia americana com patentes próprias e alianças globais.
"Nas últimas semanas, fui procurado por empresas brasileiras de energia, infraestrutura, agronegócio, tecnologia, bancos, fundos e family offices, além de decisores políticos e institucionais. Ninguém pergunta se a Venezuela é interessante. A pergunta é outra, muito mais reveladora: qual é o timing correto para entrar antes que o risco seja reprecificado?", disse à CNN.
Ele aponta que, além do petróleo, o momento na Venezuela abre outros dois caminhos: infraestrutura e agronegócio. "A esse núcleo energético soma-se uma necessidade massiva de reconstrução de infraestrutura básica – eletricidade, água, transporte, portos, rodovias e telecomunicações – que, em qualquer cenário sério, mobiliza investimentos acumulados de dezenas de bilhões de dólares", ressaltou.
Acrescentou que “não se trata de gasto público: é CAPEX [sigla da expressão inglesa Capital Expenditure – despesa de capital] com retorno, especialmente quando ancorado em marcos regulatórios previsíveis e contratos bem estruturados."
“O agronegócio completa o triângulo. A Venezuela dispõe de milhões de hectares férteis hoje subutilizados, com potencial de integração quase imediata a cadeias regionais e globais de alimentos. Para o capital, isso significa ciclos de investimento mais curtos, menor risco político relativo e geração rápida de divisas", concluiu Guzmán.



