Análise: o recado avassalador do eleitor a Lula e ao STF
Com vitórias restritas a poucos estados, a base aliada chega enfraquecida para disputar a reta final do pleito

O eleitor brasileiro, como sempre, usou as urnas para mandar um simples recado: “as coisas estão ruins e precisam mudar”.
O crescimento de Flávio Bolsonaro e da direita brasileira já vinha sendo identificado pelas pesquisas, mas as urnas mostraram um quadro muito mais avassalador.
A começar pelo resultado da nacional, Flávio larga na frente para o segundo turno e na condição de favorito.
O seu partido, PL, fez super bancadas na Câmara e no Senado e junto com o centrão vai dominar o Legislativo a partir do ano que vem.
A esquerda sofre derrotas simbólicas. Ministros de Lula, como Gleisi Hoffmann, Simone Tebet e Marina Silva, não conseguiram se eleger ao Senado. Patrus Ananias perdeu no primeiro turno para Cleitinho em Minas Gerais. João Campos perdeu em Pernambuco, Manuela Dávila no Rio Grande do Sul. Randolfe Rodrigues no Amapá. José Dirceu em São Paulo.
Podemos pensar que o problema era a esquerda, mas talvez se ampliarmos o olhar o problema pode ter sido Lula.
Alguns dos seus principais aliados de centro e centro-direita em Brasília também sofreram derrotas.
Duas delas que também dizem muito.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, viu seu principal adversário político, Dr. Furlan, não só se eleger governador no Amapá, como também eleger a mulher dele senadora, Rayssa Furlan. A segunda vaga ficou com outro adversário de Alcolumbre, Lucas Barreto.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, se reelegeu deputado mas não conseguiu eleger o pai senador. Foi pelo pai que Motta abraçou Lula neste ano.
Além deles, a candidata de Helder Barbalho à sucessão dele no Pará perdeu para um bolsonarista. Renan Filho, ex-ministro de Lula, perdeu em Alagoas e seu pai não foi reeleito senador.
À esquerda, sobraram estados importantes como Bahia, Piauí e Ceará. Mas, dentro do quadro geral, é pouco.
Lula, o PT e o governo partem para o segundo turno altamente feridos.
Reverter o resultado do primeiro turno é possível mas não é provável.
A grande dúvida agora é como a ala governista do Supremo Tribunal Federal vai ler esses resultados?
Ela vai entender que o recado das urnas foi para ela também?
Ou vai partir para um tudo ou nada?



