Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Análise: PT reforça polarização e tenta vender futuro

“Não quero Lulinha paz e amor. Quero Lulinha porreta”, disse o candidato do PT em convenção nesse domingo (2)

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O PT e o presidente Lula buscaram, na convenção que o lançou à reeleição, reforçar a polarização com o bolsonarismo e apresentar propostas em diversas áreas para o que seria um quarto mandato do petista, expondo uma estratégia de "vender futuro" ao eleitor.

"Nesse quarto mandato, vocês vão ver. Não quero Lulinha paz e amor. Quero Lulinha porreta, que vai fazer o que a gente ainda não fez. Vocês vão ver o país do futuro que vou entregar”, afirmou.

A declaração sintetiza uma linha que o partido pretende buscar nesta campanha: reconhecer problemas ainda não resolvidos e apresentar soluções. Isso porque as pesquisas apontam uma alta taxa de desaprovação do governo, e a campanha quer evitar fazer uma campanha distante da realidade das ruas do país. Lula focou principalmente em cinco pontos.

"Sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel da educação. Porque quero pagar dívida com os idosos do país. Para estruturar uma indústria de defesa. Vou levar a sério essa questão da defesa no meu quarto mandato. E esse negócio de terras raras e minerais críticos. Temos que utilizar nossa capacidade para usar e transformar. Por que não podemos fazer bateria elétrica?", disse Lula.

A venda do futuro foi casada com a defesa do legado das gestões petistas, dentro de um plano de dizer que muito já foi feito e que o partido precisa continuar no poder para que mais ainda seja feito. "Quem fez mais pode prometer mais. Quem não fez não pode prometer. Essa é a lógica dessa eleição", disse.

Além disso, as falas também buscaram reforçar a polarização com o bolsonarismo, já que o adversário preferido de Lula para um segundo turno é Flávio Bolsonaro. Pesquisas de intenção de voto mais recentes mostram que Lula ganharia de Flávio no segundo turno com mais folga do que contra os demais candidatos. Em algumas simulações, há um empate técnico de Lula com alguns deles, como Ronaldo Caiado.

Lula disse, por exemplo, que "não podemos permitir que a extrema-direita volte a governar o país" e fez um contraponto a declarações de Flávio Bolsonaro neste sábado de que o governo federal não ajuda São Paulo, governado pela oposição.

Geraldo Alckmin seguiu a mesma linha ao declarar em seu discurso que "no governo anterior tivemos, na Covid, 700 mil mortos, uma campanha negacionista contra as vacinas". Já o presidente do PT, Edinho Silva, disse que "teremos que escolher entre o país do autoritarismo, do ódio, do desmatamento, do entreguismo, que vira as costas para seu povo, ou do Brasil soberano, que luta pelos interesses do nosso país".

O eleitorado feminino também foi um dos alvos da convenção. Lula quebrou o protocolo no início de seu discurso, criticou a organização por não prever discursos de nenhuma mulher e deu a palavra à primeira-dama, Janja.

"Somos nós, mulheres, que vamos eleger o vice novamente", disse ela. As pesquisas mostram que Lula cresceu nas últimas semanas entre o eleitorado feminino. Lula prometeu combater o feminicídio em um eventual Lula 4.