Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Planalto vê constrangimento com Lulinha, mas impacto relativo nas urnas

Aposta é que Caso Dark Horse vai prejudicar Flávio Bolsonaro

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O Palácio do Planalto vê constrangimento com as novas denúncias envolvendo o empresário Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e o ex-chefe de gabinete presidencial do atual governo, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, mas avalia que o dano tende a ser neutralizado por novas denúncias que possam vir a atingir o principal candidato de oposição, Flávio Bolsonaro, em razão do caso “Dark Horse”.

A leitura no governo é de que as sucessivas denúncias envolvendo o filho do presidente fizeram a agenda ética virar contra o petista na atual largada da campanha, em especial porque Lulinha tem recall de denúncias e é um personagem político que engaja facilmente de forma negativa nas redes sociais.

Nesta terça-feira por exemplo foi revelado que a PF detectou uma conversa em que Marcola recebe da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, a minuta de um contrato para a venda de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde sem a realização de licitação.

A orientação, porém, é para que não haja precipitação na reação nem desespero, uma vez que há expectativa de que possam vir a vazar dados da investigação sobre o filme “Dark Horse”, para o qual Flávio Bolsonaro foi flagrado pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro. Uma fonte chegou a comparar o caso com a Lava Jato. Naqueles episódios, toda a artilharia era contra o PT. Hoje, haveria artilharia contra os dois lados.

Além disso, internamente, todas as explicações dadas pro Marcola foram de que tudo o que apareceu contra ele encontra respaldo nos R$ 249 mil que Roberta Luchsinger, pagou em contas a ele. Também é valorizado o fato de não ter aparecido até agora nenhuma contrapartida do governo em benefício dela.

A percepção no Planalto é semelhante à do PT. O partido, até a tarde desta terça-feira, não detectou muitas alterações nos seus trackings diários e entende que o presidente Lula ainda está à frente de Flávio nas simulações de segundo turno.

O foco da legenda agora é usar os ataques para difundir três ideias que o presidente Lula já vem falando em alguns discursos e entrevistas. Primeiro, a de que toda investigação deve ser feita, doa a quem doer. Segundo, que seu governo é diferente do de Jair Bolsonaro quando, segundo petistas, houve aparelhamento da Polícia Federal para que Flávio não fosse investigado pelas denúncias de rachadinhas em seu gabinete. Terceiro, que é preciso expor a biografia negativa de Flávio, da relação com milicianos no Rio de Janeiro, passando pelas rachadinhas e o caso “Dark Horse”.