Caio Junqueira
Blog
Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Plano de Flávio para mulheres mira independência financeira feminina

Batizado de "Brasil por Elas", lançamento está previsto para a próxima semana, em São Paulo

Compartilhar matéria

O plano do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para atrair o eleitorado feminino tem como foco ações para levar esse público à independência financeira como porta de saída para relações tóxicas.

Batizado de "Brasil por Elas", a previsão é que o lançamento ocorra na próxima semana, em São Paulo.

O projeto tem como uma das principais formuladoras Daniella Marques, que foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro (PL). Braço direito de Paulo Guedes naquela gestão, hoje ela é cotada para ser vice do candidato.

Marques tem dito a interlocutores que o plano para as mulheres prioriza "mais economia e menos ideologia". Acrescenta que a Caixa terá papel central no projeto, sendo um motor de política pública com um recorte integrado para as mulheres.

Nas conversas internas da campanha, seus aliados dizem que a proposta é transformar a Caixa em uma instituição focada na jornada empreendedora do cidadão e que ofereça diferentes tipos de assessoria, especialmente a microempresárias.

Uma expressão utilizada na campanha diz que o objetivo é que a Caixa seja um "Itaú da favela e da periferia", presente em toda a jornada econômica do cidadão, em especial da mulher, da abertura da empresa ao destino dos investimentos.

O plano já vem sendo desenvolvido desde o início do ano, mas ganhou urgência após os problemas que a campanha de Flávio teve com o público feminino por causa das declarações misóginas do blogueiro Paulo Figueiredo e do afastamento de Michelle Bolsonaro do PL Mulher.

A proposta não será apresentada como uma versão final, mas como algo a ser construído e percorrido por diferentes regiões do país, tentando, assim, manter um diálogo constante da campanha com o eleitorado feminino e com entidades civis que atuam no enfrentamento à violência e no empreendedorismo feminino, aprimorando e difundindo essas propostas.

Na campanha, utiliza-se como palavra-chave para cativar esse eleitorado a "escuta" das mulheres nesse processo itinerante, tendo como público-alvo desde empregadas domésticas, sacoleiras, rendeiras e beneficiárias de programas sociais até lideranças femininas e grupos ligados ao empreendedorismo feminino.

A campanha ainda não sabe se Michelle Bolsonaro vai participar desse processo, dado o distanciamento dela com o candidato após os problemas com Paulo Figueiredo e o PL, mas já há uma decisão para que a esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, comece a ocupar mais espaço na campanha.