Caio Junqueira
Blog
Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

PT avalia mudar marqueteiro e chamar João Santana para o segundo turno

A cúpula da campanha do presidente Lula avalia mudar o marqueteiro para o segundo turno das eleições.

Compartilhar matéria

A ideia é substituir Raul Rabelo, braço direito do ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Sidônio Palmeira, e colocar em seu lugar João Santana, que liderou campanhas vitoriosas do PT com Lula, em 2006, e Dilma Rousseff, em 2010. Ou, pelo menos, colocar Santana como consultor da campanha para esta reta final.

O movimento vem sendo puxado pela cúpula do partido, e emissários foram acionados para sondar Santana. A informação foi publicada pelo portal Metrópoles e confirmada pela CNN.

Ela decorre de um movimento revelado pela CNN na manhã desta segunda-feira (5), de alta indisposição do partido com Sidônio e Rabelo, apontados como principais responsáveis pela derrota de Lula diante de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

A avaliação, segundo três petistas, é que a campanha foi tocada sob improviso, com o debate, em grande parte do tempo, alheio à realidade das ruas, como soberania e terras raras em vez de custo de vida, e com disputas internas que vazaram sempre sob a ótica do ministro.

Um exemplo dado foi o debate interno sobre bets. Sidônio defendia o fim total delas, enquanto o presidente do PT, Edinho Silva, defendia algo gradativo e via Congresso. Ao final, a proibição prevaleceu, mas o noticiário de que Lula havia acabado com as bets foi dividido com o de que Sidônio havia vencido Edinho internamente.

Uma ala do partido entende ainda que a estratégia nunca foi bem definida e que se apostou demais na máquina do Estado e em pacote de bondades, sem uma análise efetiva do seu impacto eleitoral. No fim das contas, a série de medidas, como reajuste do Bolsa Família, fim das bets e renegociação de dívidas, acabou não tendo o impacto esperado.

Também se entende que Sidônio não conseguiu rebater o discurso principal de Flávio Bolsonaro: o custo de vida, simbolizado pelo bolsonarista pelo carrinho do supermercado que não consegue ser enchido devido aos preços dos produtos. Para petistas, o governo Lula 3 tem bons indicadores de inflação, desemprego e crescimento, que precisavam ter sido mais explorados, e a percepção de piora da economia deveria ter sido explicada pelos fatores externos ao governo, como o conflito no Oriente Médio, que impactou o preço dos combustíveis, ou fenômenos climáticos, que impactaram o preço dos alimentos.

A leitura é que Sidônio entrou no período eleitoral sem entregar a diminuição da taxa de desaprovação do governo Lula 3, hoje na casa de 50%. E que foi o único marqueteiro a não conseguir melhorar esse dado dentre os presidentes que disputaram a reeleição: Fernando Henrique Cardoso, em 1998; o próprio Lula, em 2006; Dilma Rousseff, em 2014; e até mesmo Jair Bolsonaro, em 2022, que melhorou a taxa em 15 pontos durante a campanha.

A CNN procurou Sidônio e Rabelo e aguarda uma posição.