Análise: Plano de Trump avança, mas destino de Gaza é incerto
Uma das principais dúvidas o acordo é se o Hamas, cuja existência está profundamente ligada à resistência armada, aceitará realmente entregar suas armas
O plano de Donald Trump para o fim da guerra na Faixa de Gaza deu um passo importante nesta sexta-feira (3), com a sinalização do Hamas de que está disposto a negociá-lo. No entanto, ainda existem diversas variáveis que precisam ser resolvidas antes que se possa vislumbrar um desfecho concreto para o conflito.
Uma das principais dúvidas é se o Hamas, cuja existência está profundamente ligada à resistência armada, aceitará realmente entregar suas armas. Também não está claro se o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, irá obedecer a uma eventual ordem de Trump para cessar os ataques à Faixa de Gaza.
Outro ponto crucial diz respeito à representatividade palestina durante a gestão transitória do território: quem falará pelo povo palestino nesse processo? Além disso, é incerta a disposição da extrema direita israelense em aceitar a criação de um Estado palestino — um passo fundamental para uma solução duradoura.
Há ainda a questão do respeito às normas do direito internacional. As regras serão efetivamente seguidas por todas as partes envolvidas?
Enquanto isso, Donald Trump já começa a colher dividendos políticos com a proposta, mirando inclusive na possibilidade de conquistar um Prêmio Nobel da Paz. No entanto, ainda é cedo para afirmar que a guerra caminha para o fim. O cenário continua instável e repleto de incertezas.




