Comunidades judaicas no Brasil apoiam ação de Israel contra o Hezbollah
Entidades que representam a comunidade judaica relataram à CNN apoiar a ação militar de Israel contra o grupo militante no Líbano.

Cláudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), disse ao blog que todas as mortes são lamentáveis mas que o Hezbollah bombardeia Israel há quase um ano.
"Todas as mortes são lamentáveis e devem ser evitadas a todo custo, mas é preciso entender o contexto do conflito no Líbano. O Hezbollah, financiado e comandado pelo Irã, vem bombardeando Israel desde o dia 8/10 para apoiar os terroristas do Hamas que iniciaram o conflito no sul do país. O grupo libanês lançou milhares de mísseis indiscriminadamente contra o Norte de Israel desde então, um deles matando 11 crianças israelenses que jogavam futebol", afirmou.
Ele apontou ainda que, em razão disso, há milhares de israelenses que moravam no norte do país refugiados no sul e que Israel havia avisado que se o lançamento de mísseis sobre seu território não parasse uma ação militar ocorreria.
"Boa parte da população do norte de Israel está refugiada no centro do país há meses por causa desses bombardeios indiscriminados vindos do Líbano, e só não há mais mortos em Israel porque a tecnologia antimíssil do país opera milagres. Israel vem dizendo diariamente ao Líbano e ao mundo que, se os ataques do Hezbollah não parassem, não teria outra opção a não ser intensificar suas ações para defender seus cidadãos e suas fronteiras", declarou.
Disse, também, que Israel não buscou essa guerra. "Imagine se uma milícia armada até os dentes no Uruguai estivesse atacando o sul do Brasil indiscriminada e diariamente há oito meses. O que o Brasil deveria fazer? Israel não buscou esta guerra, tentou evitá-la por meses a fio. Basta o Hezbollah cessar fogo e cumprir resoluções da ONU para a região que a guerra termina. E me parece que há amplo apoio da população israelense ao exército do país, que é quem de fato comanda a guerra."
Abraham Goldstein, presidente nacional da B'nai B'rith do Brasil, aponta a ameaça por parte do Irã ao estado de Israel como uma das principais justificativas para a operação.
"(O primeiro-ministro de Israel, Benjamin) Netanyahu tem, insistentemente, mencionado o perigo que o Irã dos Ayatolás representa para Israel e para o mundo. No entanto, poucas medidas efetivas foram tomadas contra os desejos da expansão bélica deste regime. O ex-Presidente Trump, na sua gestão, conseguiu sufocar economicamente o Irã dos Ayatolás, mas com Biden/Obama este sufoco foi sensivelmente aliviado. Assim, o Irã dos Ayatolás financia todas as organizações que combatem o Estado de Israel - como Hamas, Hezbollah e Houthis."
Golstein coloca ainda que o momento político interno do país propicia uma ação militar no Líbano.
"O governo atual de Netanyahu está com 64 cadeiras no Knesset (Parlamento de Israel). E a coligação é formada por grupos religiosos ortodoxos que, em parte, também tem o perfil fundamentalista. Com o ocorrido, a partir de 7 de outubro de 2023 e os consequentes conflitos, e o crescimento do antissemitismo insuflado pelos 1600 anos de história, mais o medo dos radicais islâmicos e as conveniências políticas do momento (Brics, etc), dificilmente, nas próximas eleições - que ocorrerão em Israel - a maioria dos mesmos políticos serão reeleitos", disse.
Na sequência, ele fala que "considerando os muitos anos de ameaças que a população de Israel tem passado com foguetes, incursões, discursos contra e perda de espaço político internacional, entendo que o atual governo decidiu, com a determinação de Netanyahu, eliminar, ou pelo menos destruir significativamente, os principais inimigos de fronteiras - Hamas e Hezbollah. Seria um legado que deixarão ao sair do governo".
Questionado se Netanyahu lidera a ação para manter uma guerra e impedir que um eventual fim do conflito leve a sua queda e consequente prisão, ele respondeu:
"Como todo político, Netanyahu tem amigos, apoiadores e inimigos, tanto pessoais, políticos e sociais. Ele está há muitos anos como Primeiro Ministro do Estado de Israel. E sempre foi de uma determinação muito singular, em defesa da existência do Estado de Israel. Não me cabe julgar se ele tem, realmente, envolvimento em casos de corrupção, independentemente do valor e das circunstâncias. Há um Judiciário independente que tomará a decisão e a implementará dentro dos limites dos entendimentos", declarou.
Para Marcos Knobel, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), a guerra contra o Hezbollah é uma guerra reativa.
"Desde 8 de outubro quase nove mil mísseis foram lançados do sul do Líbano pelo Hezbollah dentro do território israelense matando quase 50 pessoas, dentre elas aquele grupo de 12 crianças que estava jogando futebol. Ou seja, Israel vem aguentando todos esses ataques do Hezbollah e só não teve mais danos materiais e humanos porque tem um sistema de defesa antiaéreo. Se não fosse isso teríamos um número muito maior de baixas dentro do território israelense. É portanto uma guerra reativa, não preventiva".



