Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Embaixada do Líbano no Brasil culpa Israel e vê risco de guerra regional

Encarregado de negócios fala com exclusividade à CNN sobre escalada na tensão no Oriente Médio

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O encarregado de negócios da Embaixada do Líbano em Brasília, George El Jallad, disse à CNN que, se Israel mantiver os ataques ao país, o conflito pode levar a uma guerra regional.

“Parar a guerra é um interesse regional e internacional, já que a continuação das ações israelenses pode desencadear uma guerra regional com efeitos desastrosos para todos os países vizinhos”, disse Jallad à CNN.

Jallad é o representante máximo do Líbano no Brasil hoje.

De acordo com ele, violações de regras de direito internacional por parte de Israel na região poderão levar o conflito para todo o Oriente Médio.

“Uma das razões para a escalada da tensão é a impunidade de Israel em relação a todas as violações do direito humanitário internacional que são cometidas em Gaza. Essas ações não foram interrompidas e, assim, levaram à expansão dessas violações para outras regiões, como o Líbano e a Cisjordânia. Se essas violações continuarem, o conflito certamente se espalhará para outras regiões do Oriente Médio”, afirmou.

O diplomata afirma que seu país defende um cessar-fogo imediato e uma saída diplomática para o confronto.

“O governo libanês encoraja todos os esforços para alcançar um cessar-fogo. Mais esforços são necessários para se chegar a uma solução diplomática para o conflito”, afirmou.

Para ele, o responsável pela escalada do conflito é Israel.

“A escalada dos eventos pode ser atribuída às violações israelenses do espaço aéreo, terrestre e marítimo do Líbano muito antes das atividades militares começarem ao longo das fronteiras. A resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU tem sido violada milhares de vezes pelo lado israelense todos os anos desde sua adoção. É por isso que pedimos a plena implementação dessa resolução”, declarou à CNN.

A resolução a que ele se refere foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em 11 de agosto de 2006 e prevê o fim das hostilidades entre Israel e Líbano.

“O governo libanês sempre expressou sua total conformidade com a resolução 1701 do Conselho de Segurança. Esta resolução é considerada a primeira linha de defesa para o Líbano e uma obrigação da comunidade internacional de preservar a soberania, estabilidade e segurança do Líbano, sendo a base legal que garante a segurança libanesa e regional, explicou Jallad.

Veja a seguir a entrevista na íntegra:

CNN: Como o senhor vê a ação militar de Israel sobre o território Libanês?

Jallad: Infelizmente, as ações militares de Israel ultrapassaram todos os princípios do direito internacional e do direito internacional humanitário. O número de mortos no Líbano até 26 de setembro ultrapassou 1.540, além de 5.410 feridos, a maioria deles mulheres e crianças.

O ataque a civis e à infraestrutura civil para alcançar ganhos militares é inaceitável segundo o direito internacional humanitário. Israel está violando gravemente os princípios de necessidade e proporcionalidade, sem que haja uma ação séria da comunidade internacional. O silêncio internacional sobre as ações israelense deu a Israel uma licença para matar e chega a ser um crime contra a humanidade.

CNN: O sr. vê alguma chance para a paz?

Jallad: O governo libanês encoraja todos os esforços para alcançar um cessar-fogo. Mais esforços são necessários para se chegar a uma solução diplomática para o conflito. Parar a guerra é um interesse regional e internacional, já que a continuação das ações israelenses pode desencadear uma guerra regional com efeitos desastrosos para todos os países vizinhos.

O governo libanês sempre expressou sua total conformidade com a resolução 1701 do Conselho de Segurança. Esta resolução é considerada a primeira linha de defesa para o Líbano e uma obrigação da comunidade internacional de preservar a soberania, estabilidade e segurança do Líbano, sendo a base legal que garante a segurança libanesa e regional.

CNN: Como o sr. vê a atuação do governo brasileiro e as posições do presidente Lula sobre o conflito?

Jallad: O governo brasileiro tem se manifestado de forma clara sobre o que está acontecendo no Líbano. Agradecemos tanto as posições do presidente Lula quanto as do governo brasileiro. O Brasil emitiu três comunicados à imprensa em uma semana para denunciar os contínuos ataques israelenses contra civis no Líbano, o ataque aéreo em Beirute que deixou dezenas de civis mortos, e as explosões de dispositivos de telecomunicação que deixaram milhares de feridos em todas as partes do Líbano. O Brasil tem expressado, em várias ocasiões, a necessidade de respeitar a soberania e a integridade territorial do Líbano, além de cumprir a resolução 1701 do Conselho de Segurança.

CNN: A que o sr. atribui o acirramento das tensões e o grave perigo de expansão dos conflitos na sua região?

Jallad: A escalada dos eventos pode ser atribuída às violações israelenses do espaço aéreo, terrestre e marítimo do Líbano muito antes das atividades militares começarem ao longo das fronteiras. A resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU tem sido violada milhares de vezes pelo lado israelense todos os anos desde sua adoção. É por isso que pedimos a plena implementação dessa resolução.

Uma das razões para a escalada da tensão é a impunidade de Israel em relação a todas as violações do direito humanitário internacional que são cometidas em Gaza. Essas ações não foram interrompidas e, assim, levaram à expansão dessas violações para outras regiões, como o Líbano e a Cisjordânia. Se essas violações continuarem, o conflito certamente se espalhará para outras regiões do Oriente Médio.

CNN: Há muitos libaneses no Brasil. Como está o contato da embaixada com eles?

Jallad: Permita-me aproveitar esta oportunidade para agradecer à comunidade libanesa no Brasil, que rapidamente se mobilizou para apoiar o Líbano e seu povo. O Líbano está em urgente necessidade de suprimentos médicos e medicamentos, pois o setor de saúde foi levado ao limite de suas capacidades devido ao grande número de vítimas civis. Agradecemos a iniciativa da "Unidos pelo Líbano", que visa arrecadar fundos para comprar os medicamentos e suprimentos médicos solicitados pelo Líbano. Anunciamos essa iniciativa nas redes sociais da embaixada para mais informações.