Itamaraty acredita em “blefe” de Trump em ultimato ao Irã
Avaliação na diplomacia brasileira é a de que o custo político de um ataque de alta intensidade é muito elevado dentro dos próprios Estados Unidos, onde a guerra é impopular

O governo brasileiro vê um blefe do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu ultimato ao Irã para que o país abra, até as 21h desta terça-feira (7), o Estreito de Ormuz.
A avaliação é a de que não há solução militar para Trump conseguir atingir esse objetivo, porque o Irã está pronto para contra-atacar os países aliados dos americanos no Golfo Pérsico, ampliando ainda mais a instabilidade na região e os efeitos econômicos do fechamento do estreito -- algo que Trump pretende evitar com o ultimato.
Além disso, a avaliação na diplomacia brasileira é a de que o custo político de um ataque de alta intensidade é muito elevado dentro dos próprios Estados Unidos, onde a guerra é impopular, com críticas a ela dentro do Partido Republicano e do movimento trumpista MAGA.
Nesse sentido, o Itamaraty vê o Irã em uma posição de negociação melhor do que a dos Estados Unidos no momento atual do conflito no Oriente Médio.
A avaliação é a de que a resistência do Irã frente aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, nesses pouco mais de 30 dias de guerra, aliada à estratégia do país de fechar o Estreito de Ormuz e gerar instabilidade econômica em todo o mundo, conferiu-lhe uma posição privilegiada em relação aos americanos.
A aposta é de que o Irã, em uma negociação, até poderá ceder e se comprometer a não enriquecer urânio em percentuais que lhe permitam fabricar bombas nucleares, mas conseguirá extrair, de um eventual acordo, a manutenção do programa de mísseis balísticos e algum tipo de controle sobre o Estreito de Ormuz.
Fontes ligadas ao Itamaraty dizem que o Irã comprovou nessa guerra que o controle do tráfego no Estreito de Ormuz lhe dá um instrumento de pressão econômica perante o mundo que compensa a inferioridade bélica e deve lhe abrir uma boa posição de negociação frente aos americanos.
A leitura, porém, é a de que uma eventual negociação não será rápida nem fácil, justamente porque essas exigências do Irã serão consideradas altas pelos americanos.



