
Impasse aumenta chance de Brasil estender presidência da COP
Dilema sobre a próxima sede pode levar a edição de 2027 para Berlim e dar à diplomacia brasileira mais um ano de protagonismo

O impasse entre Austrália e Turquia sobre qual será a próxima sede da COP fez crescer, nesta segunda-feira (17), em Belém, a possibilidade de que Berlim sedie o evento em 2027 e, consequentemente, a presidência brasileira seja duplicada por mais um ano, dando à diplomacia brasileira mais um ano de protagonismo nas negociações climáticas.
A informação foi confirmada à CNN Brasil por três fontes diretamente ligadas ao assunto.
De acordo com elas, a regra da UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change) prevê que, quando não há um acordo entre os países que pretendem sediar a conferência, o evento deve ocorrer na sede da organização, que fica em Bonn, na Alemanha.
A cidade, porém, avisou à ONU não ter interesse em sediar, o que levaria a Alemanha a abrigar o evento em sua capital, Berlim.
O prazo para um acordo se esgota junto ao final da COP de Belém, prevista para terminar neste sábado (22).
Se não houver o acerto, o Brasil carregaria até o final de 2026 a presidência da COP, com o embaixador André Corrêa do Lago.
Por um lado, garantiria que a diplomacia brasileira estivesse à frente por mais um ano da condução das negociações climáticas. Por outro, apontaria o fracasso da diplomacia da ONU em resolver um impasse entre dois países-membros.
A Austrália reivindica a sede em Canberra ou Ancara. E, na Turquia, no balneário de Antalya. Nenhum dos dois países parecia querer ceder até a noite desta segunda-feira.
Há questões geopolíticas envolvendo a disputa. A Turquia tem apoio dos árabes, que freiam qualquer debate sobre uma transição para o fim do combustível fóssil. O país também é apoiado em sua reivindicação pela Rússia, que tem problemas diplomáticos com os australianos. A Austrália sancionou a Rússia pela invasão da Ucrânia.



