Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Relatório para COP30 reúne casos de descarbonização no setor privado

Documento intitulado “Soluções em Clima e Natureza do Brasil” é produzido pelo Instituto Arapyaú e pelo Instituto Itaúsa

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Um documento que será entregue ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago, reúne diversos casos de projetos de descarbonização bem sucedidos e já em andamento, tocados pelo setor privado brasileiro.

O documento intitulado “Soluções em Clima e Natureza do Brasil” é produzido pelo Instituto Arapyaú e pelo Instituto Itaúsa a partir de entrevistas com 66 especialistas.

O relatório distribui os projetos entre os quatro setores que mais emitem efeito estufa no Brasil – agricultura e pecuária, florestas, energia e economia circular (na indústria e gestão de resíduos) - e classifica as soluções em três categorias:

  1. Maduras: Que já comprovaram resultados positivos em larga escala.
  2. Em ascensão: Em processo de amadurecimento, caminhando para ganho de escala.
  3. Promissoras: Com alto potencial de crescimento e impactos positivos.

Como exemplos de soluções em Agricultura e Pecuária, por exemplo, o relatório cita como soluções "maduras" o sistema de plantio direto, que substitui a aragem, protege o solo e evita emissões de gases de efeito estufa; o uso de bioinsumos como defensivos biológicos e a agricultura de precisão, que direciona a aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas agrotóxicos apenas onde é necessário, reduzindo custos e impactos ambientais.

Para Roberto Waack, presidente do Conselho do Instituto Arapyaú e membro do Conselho de Administração da Marfrig, o documento se insere em um contexto de as COPs migrarem para um momento de trabalharem mais a ação do que a negociação.

"Na COP de Baku ficou claro que o caminho das COPs é menos negociação e mais ação, no sentido de apresentar ações concretas, principalmente do campo empresarial e trabalhar para a implementação dessa agenda. E a partir disso concluímos que valeria avançar num documento com soluções que já estão acontecendo no Brasil e no mundo mostrando que não precisa desbravar muito porque já existe muita ação madura em curso", disse.

O diretor-executivo do Instituto Itaúsa, Marcelo Furtado, foi na mesma linha.

"Os eixos das COPs em geral são negociação, mobilização e agenda de ação, mas o foco sempre foi mais negociação e mobilização. E esse trabalho já aponta para uma linha da COP de Belém de ser uma COP de se esforçar para ser uma COP de ação não apenas de agendas promissoras, mas em especial as que já estão prontas", declarou.