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    Caio Junqueira

    Caio Junqueira

    Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 20 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os 3 Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

    Aliados defendem mea culpa de Bolsonaro para se livrar de eventual prisão

    Ideia que vem sendo ventilada é que ex-presidente module sua posição sobre os ataques de 8 de janeiro

    Aliados defendem mea culpa de Bolsonaro para se livrar de eventual prisão
    Aliados defendem mea culpa de Bolsonaro para se livrar de eventual prisão

    Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) têm defendido nos bastidores que ele faça um gesto em direção ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de pelo menos frear o animus da corte de condená-lo à prisão.

    Uma ideia que vem sendo ventilada é que ele module sua posição sobre os ataques de 8 de janeiro.

    A posição dele tem variações, indo de acusar a esquerda por uma “armadilha” a apontar a omissão do governo Lula na prevenção do episódio. No aspecto jurídico, critica as penas altas e pede anistia aos condenados.

    O que alguns interlocutores têm dito é que é preciso um aceno no sentido de reconhecer com ênfase o erro dos ataques e, por que não, o erro na estratégia de seu governo de tensionar com a Corte, fator considerado crucial para que a sede do Judiciário fosse o poder mais atacado no 8 de janeiro.

    O assunto está perto de Bolsonaro, mas há dificuldades para avançar.

    Uma dificuldade é o próprio ex-presidente, que já teria ouvido a ideia, mas não se manifestou. Quem o conhece diz que um recuo dele tiraria a imagem de mito tão idolatrada até hoje por seus seguidores.

    Outra é que para ela ir à frente seria necessária uma operação política mais ampla que demandaria que gente de peso na política que cresceu politicamente no seu governo abraçasse a ideia e fizesse incursões junto a ministros do STF no sentido de abrir um distensionamento.

    Esta tropa, porém, parece não estar disposta a isso. Parte dela se afastou de Bolsonaro, parte dela prefere o silêncio.

    O que sobrou está na linha do confronto — e esse é um terceiro obstáculo. Nesta semana isso ficou claro quando uma comitiva de parlamentares bolsonaristas apresentou uma denúncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), acusando o STF de promover um “tribunal de exceção” contra os réus do 8 de janeiro. Nas 61 páginas da petição, o ministro do STF Alexandre de Moraes é citado 19 vezes.

    Por fim, alguns de seus interlocutores têm defendido que é hora de deixar a defesa técnica e partir para uma defesa política, tal qual Lula fez na Lava Jato.

    Uma visão que dialoga com a militância no sentido de apontar uma manipulação do sistema judicial para prender um adversário político. Se levada adiante, ela mantém a corte como antagonista do ex-presidente e frustra qualquer tese de recuo e composição.

    Cristiano Zanin ao colocar em prática a tese do lawfare a favor de Lula nunca mirou o STF, mas, sim, Sergio Moro e Deltan Dallagnol. E embora haja falas de Lula no auge da operação criticando a corte — como “O STF está acovardado” –, elas só apareceram mediante um vazamento de interceptação telefônica. O ex-cliente de Zanin, Lula, e os petistas em geral, nunca foram para o confronto com o STF. O alvo sempre foi Moro e Deltan. Acabou solto e virou presidente pela terceira vez.