Área técnica do TCU avaliza BC no caso Master, e ministro adia parecer
Técnicos avaliam que liquidação do Master foi uma medida imperativa, legal e tecnicamente fundamentada
A Audibancos (Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros do Tribunal de Contas da União) concluiu que o processo de liquidação do Banco Master pelo Banco Central foi correto e dentro do esperado.
Os técnicos consideraram, em sua conclusão do relatório, que não foram identificadas impropriedades, omissões ou negligências na atuação do Banco Central e que a liquidação do Master foi uma medida imperativa, legal e tecnicamente fundamentada.
Afirmaram ainda que ela foi adotada tempestivamente, após o esgotamento fático das alternativas que se apresentavam, diante da insolvência e da possível prática de ilícitos pelo Master.
O parecer foi entregue ao gabinete do ministro Jonathan de Jesus no dia 11 de fevereiro, mas, até hoje, não foi despachado.
A CNN Brasil procurou o gabinete do ministro, que disse que não irá se manifestar. O BC também não se manifestou.
O relatório da Audibancos foi entregue após questionamentos feitos por Jonathan de Jesus sobre o processo de liquidação do Master.
No começo deste ano, Jonathan de Jesus deu diversas declarações críticas ao processo conduzido pelo BC. Criticou a resposta inicial da autoridade monetária sobre o Master, solicitada por ele, classificando o documento como uma “exposição sintética de cronologia” desacompanhada de provas documentais.
Os questionamentos à época eram os mesmos feitos pela defesa de Daniel Vorcaro e alimentaram a expectativa de que o processo fosse revertido pela autoridade monetária e abrisse caminho para uma indenização futura ao banqueiro.
Depois, o ministro do TCU passou a exigir uma “reconstrução documental minuciosa” de todo o passado recente da instituição financeira, afirmando, em um dos despachos, que o foco era entender como o órgão supervisor permitiu o “crescimento acelerado” e atípico da instituição a partir de 2019 — ainda na gestão de Roberto Campos Neto.
Ex-deputado federal pelo Republicanos de Roraima, ele chegou ao cargo no TCU pelas mãos do Centrão.
Para elaborar o parecer, os técnicos da Audibancos atuaram na revisão dos documentos que embasaram a decisão do BC de liquidar o Banco Master. A expectativa era de que Jonathan despachasse o relatório e o encaminhasse para uma análise final do plenário do TCU, mas isso não ocorreu até agora.



