Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Auditor da Receita disse ter acessado dados de enteada de Gilmar por engano

A interlocutores, Ricardo Mansano afirmou já ter prestado esses esclarecimentos à Receita

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)  • Foto: Ton Molina/STF
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O auditor da Receita Federal Ricardo Mansano, alvo da operação da Polícia Federal dessa terça-feira (17), disse a interlocutores que houve um acesso acidental ao CPF da enteada do Gilmar Mendes, Maria Carolina Feitosa, filha da advogada Guiomar Feitosa.

Ele revelou que já prestou esses esclarecimentos à Receita.

Como mostrou a CNN mais cedo, Mansano está ligado à secretaria do órgão em Presidente Prudente. Quem conversou com ele disse que Mansano está assustado com a situação pois está de tornozeleira eletrônica, teve computador, notebook, celular e outros itens levados pela PF, além de ter sido afastado do cargo e não poder dormir fora de casa.

Servidores relataram considerar desproporcional a apuração feita pela Receita, ainda em caráter preliminar, e a decisão do ministro Alexandre de Moraes de determinar medidas cautelares como o afastamento de Mansano do cargo.

Esse grupo aponta que, aparentemente, o devido processo legal não foi seguido justamente porque a apuração da Receita sobre o que de fato ocorreu não terminou. Para este grupo, o sistema da Receita é facilmente rastreável e dificilmente um servidor participaria de uma irregularidade como essa pondo em risco seu cargo, considerado da elite do funcionalismo público. A remuneração no final da carreira é próxima a de um ministro do STF.

Afirmam ainda que o auditor alvo da operação pode plenamente ter cruzado com os poderosos por conta de outros processos em curso.

A Unafisco Nacional divulgou uma nota na tarde desta terça-feira na qual manifestou "preocupação com a adoção de medidas cautelares gravosas contra auditor-fiscal em contexto ainda classificado como análise preliminar pela própria Receita Federal" e disse que "a entidade defende que eventuais irregularidades sejam rigorosamente apuradas, mas com observância do devido processo legal, da presunção de inocência e da proporcionalidade".

Segundo a Unafisco, sanções cautelares extremas exigem fundamentação robusta e lastro probatório consistente, especialmente quando ainda não há conclusão técnica definitiva.