Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Campanha de Flávio defende que bolsonarismo atue para barrar tarifas

Percepção é de que trumpistas sabem que aplicação do tarifaço beneficiará Lula

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A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defende que o senador e seu entorno nos Estados Unidos atuem diretamente junto à Casa Branca para impedir que o novo tarifaço recomendado pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) seja implementado.

A percepção é de que o entorno do presidente Donald Trump alinhado ao bolsonarismo sabe que uma eventual aplicação da medida vai prejudicar Flávio nas eleições.

Isso foi verificado nesta terça-feira (2) em pesquisas sobre impactos da medida nas redes.

O sentimento negativo contra Trump e a família Bolsonaro foi muito maior do que o sentimento positivo, impulsionado por uma estratégia elaborada pelo Palácio do Planalto e pelo PT de colar o novo tarifaço à articulação do clã.

Interlocutores de Flávio, porém, avaliam que há tempo para trabalhar pela reversão da medida e que os movimentos geopolíticos da Casa Branca, em especial do Departamento de Estado americano, apontam que é possível que os Estados Unidos não tomem uma medida que beneficiaria alguém que o trumpismo não considera um aliado no continente.

Alguns sinais foram dados nesta semana. Hoje, após as tarifas, o secretário de Estado dos Estados Unidos Marco Rubio classificou o Brasil como um dos países que representam desafios para a política externa norte-americana, além de "exceção" a um grupo de nações que considera aliadas dos americanos.

Na segunda-feira, Rubio nomeou o republicano Daniel Perez como novo embaixador do país em Brasília. Ele é considerado alinhado à visão do secretário.

Nesse sentido, uma ideia ventilada na campanha de Flávio é justamente trabalhar para impedir que a tarifa seja aplicada e o candidato possa ainda dizer que isso decorreu de uma operação política capitaneada por ele e seus aliados em Washignton. Pelo calendário do USTR, o anúncio final da implementação ou não ocorre no dia 15 de julho.