Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

"Careca do INSS" se vê menor em esquema e vai ao STF por silêncio na CPMI

PF afirma que, ao todo, pessoas físicas e jurídicas ligadas ao "Careca do INSS" receberam R$ 53.586.689,10 diretamente das entidades associativas ou suas empresas

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Um dos primeiros convocados para a CPMI do INSS, o empresário Antônio Carlos Camilo, conhecido como "Careca do INSS", se considera um peça menor no esquema de fraudes no INSS e deverá recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que possa ficar em silêncio na comissão.

A informação foi passada à CNN por seus assessores diretos.

Segundo eles, a ideia é que ele compareça à CPMI, mas desde que tenha a salvaguarda da Corte para que possa permanecer em silêncio sem que haja risco de ser preso.

A jurisprudência consolidada do STF após decisões em CPIs passadas já aponta nesse sentido.

A intenção dos parlamentares em ouvi-lo decorre do fato de a Polícia Federal considerá-lo um eixo relevante no esquema porque ele é sócio de 22 empresas — e parte delas teria sido utilizada em fraudes, de acordo com relatório da própria PF.

Ele seria um intermediário dos sindicatos e associações, recebendo os recursos que eram debitados indevidamente dos aposentados e pensionistas, e repassando parte deles a servidores do Instituto ou familiares e empresas ligadas a eles.

A PF afirma que, ao todo, pessoas físicas e jurídicas ligadas ao "Careca do INSS" receberam R$ 53.586.689,10 diretamente das entidades associativas ou por intermédio de suas empresas.

A aliados, contudo, ele diz se considerar uma peça menor no esquema todo e que o prejuízo e montante por ele movimentado é muito inferior ao que se estima oficialmente que a fraude tenha alcançado, algo em torno de R$ 6 bilhões.

Seus interlocutores consideram, por exemplo, que o empresário Maurício Camisotti, outro convocado pela CPMI hoje, teve papel muito mais relevante do que ele no esquema todo, tanto em volume como em alcance.

Ele é investigado como um dos beneficiários finais das fraudes envolvendo associações ligadas a beneficiários. O empresário tem negado as acusações.

Em nota à CNN, Camisotti afirmou que sua empresa "atuou exclusivamente na prestação de serviços administrativos e tecnológicos para entidade associativa" e que vai provar a "lisura de sua atuação".

"[A] empresa não teve envolvimento no controle ou na captação de associados — responsabilidade de outras empresas de correspondentes bancários contratadas diretamente pelas associações", diz a nota.