Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Congresso tenta corrigir lacunas para desbloquear emendas

Ministro Flávio Dino, do STF, determinou a suspensão da execução até que fossem apresentadas novas regras de transparência e rastreabilidade dos recursos

Fachada do Palácio do Congresso Nacional. O Palácio do Congresso Nacional é um dos pilares da arquitetura monumental de Niemeyer que dão forma à capital inaugurada em 1960. Construído em terreno elevado, é visto de longe como culminância da avenida Eixo Monumental, que abriga a Esplanada dos Ministérios e atravessa a cidade de norte a sul. Sede das duas Casas do Poder Legislativo e um dos mais famosos cartões postais do Brasil, o Palácio do Congresso Nacional é composto por duas cúpulas e duas torres de 28 andares, que abrigam a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Foto: Pedro França/Agência Senado
Fachada do Palácio do Congresso Nacional. O Palácio do Congresso Nacional  • 14/08/2024 - Pedro França/Agência Senado
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O Congresso Nacional tenta dar mais transparência ao destino de emendas parlamentares já executadas, dos anos de 2020, 2021 e 2022, com o objetivo de convencer o Supremo Tribunal Federal a desbloquear as de 2023, que já estavam sendo encaminhadas.

Consultores jurídicos do Congresso fizeram, nos últimos dias, um pente-fino no projeto de lei aprovado por deputados e senadores, para localizar e suprir lacunas que podem levar a rejeição do texto pelo ministro do STF, Flávio Dino, relator das ações que questionam a constitucionalidade das emendas. Ele determinou a suspensão da execução até que fossem apresentadas novas regras de transparência e rastreabilidade dos recursos.

O Congresso aprovou, na semana passada, um projeto, sancionado nesta terça-feira (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas que estabelece regras para a execução de emendas daqui em diante.

Deixou, portanto, em aberto, o que fazer com as emendas já executadas dos anos de 2020, 2021 e 2022, abrindo espaço para que Dino entenda que o projeto não atende às regras de transparência que ele determinou que fossem incluídas no texto.

A falta dessas regras nas emendas já executadas dos anos anteriores é o motivo pelo qual, até agora, o Congresso ainda não peticionou ao STF, informando que cumpriu o que a Corte determinou. A expectativa, porém, é que, até esta sexta-feira (28), a advocacia do Senado apresente a petição.

Ainda mais porque a pressão das bases parlamentares sobre deputados e senadores aumentou neste fim de ano. Prefeitos passaram a rodear gabinetes em Brasília, cobrando recursos, uma vez que eles foram suspensos durante o período das eleições pela própria legislação eleitoral e se estendeu após os pleitos municipais devido ao bloqueio do STF. Os relatos que chegam aos deputados e senadores são de obras começando a parar devido à falta de pagamentos.

Para ampliar a pressão sobre o STF, a cúpula do Congresso ameaça não votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Orçamento de 2025, conforme antecipou a CNN no dia 1º de novembro.

Nesta terça-feira, foi apresentado um calendário de votação, prevendo que a LDO e o Orçamento sejam votados nos dias 11 de dezembro e 13 de dezembro, respectivamente.

O prazo é apertado, mas o Congresso tem uma justificativa técnica: para serem aprovadas, é preciso que haja o acordo das emendas referendado. O motivo é que a nova regra da execução de emendas precisa constar na LDO e no Orçamento de 2025.