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    Caio Junqueira

    Caio Junqueira

    Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 20 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os 3 Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

    Cresce fogo amigo contra Lewandowski

    Ministro tem apostado em agenda positiva em meio a críticas

    Cresce fogo amigo contra Lewandowski
    Cresce fogo amigo contra Lewandowski

    Não bastasse ser dono do posto mais difícil da Esplanada pela pluralidade de temas espinhosos que estão sob seu guarda, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, tem mais um problema para enfrentar: virou o mais novo alvo de fogo amigo no governo Lula.

    Isso ficou implícito após a reunião ministerial de segunda-feira (18), quando ministros — sob reserva, claro — relataram a jornalistas que seu desempenho na primeira reunião ministerial ampla de sua vida foi ruim.

    O motivo é que ele afirmou que a segurança pública — principal problema do Brasil segundo todas as pesquisas — é responsabilidade dos estados.

    Lewandowski não apenas falou o óbvio — é o que a Constituição Federal estabelece — como também sua fala tinha uma base: os R$ 4 bilhões de recursos federais para a segurança pública, que, desde 2019, estão represados pelos estados. A informação foi publicada na quarta-feira (20) pela CNN.

    O embasamento técnico e jurídico, porém, não foi suficiente para barrar o fogo amigo, algo que vem se intensificando dia a dia desde sua posse em 1º de janeiro. A origem é diversa.

    • Uma é o PSB que ocupava a pasta com Flavio Dino; a nomeação de Lewandowski frustrou lideranças do partido que pretendiam assumir o posto e outras que acabaram substituídas pelo novo ministro.
    • A outra é o PT, que pretendia ocupar a pasta após Flavio Dino, mas acabou preterido por Lula dentro se uma operação política para por no ministério alguém de peso político.

    De uma maneira geral, ambos se sentem empoderados e, portanto, aptos a ocupar a pasta com o que consideram um sucesso de reação do ministério ao 8 de janeiro, algo que, se esquece, foi facilitado pelo amplo apoio de outros poderes, instituições e da própria mídia.

    Fato é que a indisposição dos aliados à esquerda faz com que o ministro, que nunca teve vida partidária, seja defendido nas crise pela direita. Foi assim no grande caso que caiu no seu colo seis dias úteis após a sua posse: a fuga dos dois presos de Mossoró (RN). Diante das acusações de seu papel no episódio, a esquerda calou e coube à direita defendê-lo.

    O apoio partiu, por exemplo:

    • do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL);
    • do ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira (PP-PI);
    • e do presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, Alberto Fraga (PL-DF), um dos expoentes sa chamada “bancada da bala”.

    O ministério corre para não ficar preso ao episódio, cuja exploração política tem potencializado o tamanho que se considera, internamente no governo, que ele realmente tem. Um caminho é não cair na armadilha de o próprio ministro ficar focado nele.

    O sobrevoo que ele fez na provável região em que os foragidos estão foi avaliado até por quem torce pelo ministro como um grande erro. Nesse sentido, o anúncio na terça-feira (19) pelo próprio Lewandowski de que o STF homologou a delação de Ronnie Lessa já foi uma tentativa de produzir agenda positiva. Outro passo será cobrar dos estados investimentos em segurança pública dos estados com os recursos represados.

    Não é certo que os aliados que ocuparam ou que gostariam de ocupar a sua cadeira deixarão de operar nos bastidores contra ele, mas a migração de um noticiário negativo para um positivo pode ser um primeiro passo.