Flávio decide deixar prestação de contas de Dark Horse para produtora
Campanha diz que ele não tem ingerência nem acesso a dados
O candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) não deverá fazer a anunciada prestação de contas do filme “Dark Horse”, que havia sinalizado na sequência da divulgação de um áudio em maio, no qual ele pede recursos para o banqueiro Daniel Vorcaro, que seriam destinados ao filme.
A justificativa, segundo interlocutores do candidato, é que ele não tem acesso a todos os dados necessários para fazer a prestação de contas, já que o filme é feito pela produtora Go Up Entertainment, de propriedade de Karina Ferreira da Gama.
A Go Up Entertainment já apresentou, inclusive, parte dos dados dentro do inquérito que tramita na Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores da Comarca de São Paulo. Ela apura suspeitas de irregularidades em contratos da ONG Instituto Conhecer com a Prefeitura de São Paulo.
Nos bastidores, a campanha de Flávio admite que o candidato errou ao se precipitar em anunciar uma prestação de contas pública sem que fosse possível ter acesso aos dados. E que o candidato não tem ligação direta com a administração dos recursos e que uma eventual publicidade dos dados depende apenas da produtora.
Integrantes da campanha dizem ainda que a responsabilidade pela prestação de contas é e sempre foi da produtora, já que o contrato para a execução do filme foi feito por ela.
O documento apresentado em junho, anexado ao inquérito, aponta que o filme custou R$ 75 milhões, dos quais R$ 54 milhões foram gastos no exterior e R$ 20,9 milhões, no Brasil.
Não há, porém, recibos nem notas fiscais dos gastos, nem detalhamento, como, por exemplo, do cachê dos artistas.
A Polícia Federal suspeita que os recursos possam ter sido destinados para custear a vida de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, já que o dinheiro dado por Vorcaro passou pela conta do advogado do ex-deputado. Ele nega qualquer irregularidade. Um inquérito sob relatoria de André Mendonça foi aberto em 21 de julho para apurar essas suspeitas.
A CNN procurou a defesa de Karina, mas ela não se posicionou.



