Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Lula e Tarcísio adotam interlocutores diferentes com os EUA sobre tarifaço

Receio de interlocutores de ambos os lados é que qualquer encaminhamento seja bloqueado pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), têm caminhos diferentes para negociar com os Estados Unidos uma saída para o tarifaço imposto por Donald Trump às exportações brasileiras.

O governo federal decidiu negociar diretamente com o USTR — sigla para United States Trade Representative (em tradução livre, Representante Comercial dos Estados Unidos).

É com esse órgão que o Brasil já vem tratando uma possível redução das tarifas aplicadas em abril.

Foi para ele que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços encaminhou, em 16 de maio, uma proposta sigilosa de negociação ainda não respondida, conforme informou na segunda-feira (14) o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (PSB).

A ideia do governo federal é colher sugestões do setor privado sobre a negociação do tarifaço de 50% e, na semana que vem, encaminhar uma proposta formal ao órgão.

O trâmite, segundo diplomatas brasileiros, é que o USTR envie a proposta brasileira à Casa Branca, para uma decisão final de Trump.

Já Tarcísio de Freitas optou por uma negociação que inclua a embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Tanto que o encarregado de negócios do órgão, Gabriel Escobar, participa da reunião que o governador promove com 15 empresários exportadores na manhã desta terça-feira (15), no Palácio dos Bandeirantes.

Esse cargo é o mais alto da diplomacia americana no Brasil no momento, uma vez que os Estados Unidos ainda não têm um embaixador nomeado para o país.

Representantes do governo federal, porém, avaliam que, como não há embaixador dos Estados Unidos no Brasil — e a relação da diplomacia brasileira em Brasília e em Washington com a Casa Branca e o Departamento de Estado é, na prática, inexistente —, o melhor a fazer é seguir o caminho via USTR.

O receio de interlocutores de ambos os lados, contudo, é que qualquer encaminhamento seja bloqueado nos Estados Unidos pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem melhor acesso à Casa Branca do que o governo federal e o estadual.

Principalmente porque a moeda de troca que Eduardo negocia — a anistia aos investigados por tentativa de golpe — não é a mesma que Lula e Tarcísio pretendem colocar na mesa.