Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Lula faz aposta de risco com solução à esquerda na reta final deste mandato

Presidente abre mão de um parlamentar dos partidos aliados e de ampliar as chances de uma coalizão ao centro em 2026, para a campanha da reeleição

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Uma ao centro, abrindo um privilegiado espaço dentro do Palácio do Planalto para um parlamentar de partidos aliados, com o objetivo de assegurar a travessia juntos, em 2025, e ampliar as chances de uma coalizão ao centro em 2026, para a campanha da reeleição.

Nomes não faltavam para isso. Do habilidoso ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, ao também habilidoso líder do MDB na Câmara, Isnaldo Bulhões.

Essa solução sinalizaria, aos agentes econômicos e políticos, que a reta final deste mandato poderia ser uma tentativa de reeditar a frente ampla, que foi determinante para que ele se elegesse em 2022, mas que nunca assumiu, na prática, o governo.

A outra solução era à esquerda, que acabou sendo escolhida.

Na verdade, a solução foi a mais à esquerda dentre as soluções à esquerda que haviam, já que os moderados e pragmáticos petistas José Guimarães e Jaques Wagner ficaram para trás.

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, tem, como méritos, a lealdade e a combatividade que todo governante quer ter ao lado. Simboliza o que se pode chamar de PT raiz, dogmático, revisionista da Lava Jato, feroz contra o bolsonarismo, além dela ser devota de uma agenda expansionista nos gastos públicos.

Até agora, no Lula 3, foi a voz contra o receituário econômico do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o mais moderado dos petistas. Agora, Lula a coloca dentro do Palácio do Planalto, onde deverá juntar forças com chefe da Casa Civil, Rui Costa, contra Haddad e assegurar que o caminho até 2026 é mais PT e menos frente ampla.

Na prática, Lula dobra a aposta no momento em que as pesquisas apontam que a maioria do eleitorado brasileiro cansou dele. Avalia que o país caminha na direção errada, sem um rumo certo e que deveria fazer, na reta final, um governo diferente do que fez até agora. As chances de Gleisi atender a essa demanda são menores do que se a solução fosse ao centro.