Maioria no Brasil defende diálogo com Trump ante retaliação, diz AtlasIntel
Foram ouvidas 754 pessoas, entre 1º e 3 de abril; margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos
Pesquisa AtlasIntel feita com exclusividade para o programa GPS CNN aponta que a maioria dos brasileiros apoia uma negociação diplomática com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em vez de medidas de retaliação.
De acordo com o levantamento, 56% disseram que aguardar e negociar diplomaticamente é a melhor reação que o Brasil deve ter.
Para 18,7%, porém, o melhor caminho é reforçar relações diplomáticas e comerciais com rivais dos Estados Unidos, como a China, enquanto 16,1% responderam que retaliar com tarifas sobre produtos dos Estados Unidos deve ser a resposta.
Já 1,3% falou que o Brasil deve levar a disputa para a OMC. Por fim, 7,9% disseram não saber responder.
Para essas pesquisas, a AtlasIntel ouviu 754 pessoas, entre 1º e 3 de abril. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. E o nível de confiança é de 95%.
Para Camilo Rabelo, economista-chefe da AtlasIntel, "a opinião pública brasileira parece estar em linha com a postura adotada pelo governo brasileiro até aqui, em relação ao aumento das tarifas americanas sobre produtos brasileiros".
"O governo adotou uma postura discreta, preferindo negociar via canais diplomáticos e evitou se posicionar de forma abertamente conflituosa do ponto de vista institucional — embora o presidente Lula tenha dado declarações demonstrando indignação com as medidas americanas”, resume Camilo Rabelo.
“Mesmo após as tarifas sobre o aço brasileiro, ainda assim a postura institucional foi de cautela. Isso teve um resultado que se mostrou positivo. A proximidade entre Javier Milei e Donald Trump não poupou a Argentina de uma tarifa e a postura crítica do presidente Lula ao presidente americano não gerou tarifas maiores ao Brasil", afirmou.
O especialista também destaca que o ponto que a opinião pública brasileira parece achar pouco eficiente, no entanto, é outro caminho considerado pelo governo Lula: recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
"Isso pode partir de uma avaliação que as instituições internacionais hoje têm menos credibilidade e é pequeno o nível de confiança de que qualquer decisão no âmbito de um organismo internacional - seja ele a ONU, a OMC ou a OMS - geraria a obediência do país repreendido", disse Rabelo.
Para ele, “a postura brasileira foi a mais produtiva, dado também o baixo apetite do brasileiro por uma postura conflituosa, especialmente contra uma potência”.
Rabelo disse ainda que os limites poderiam ser testados caso aumente a retaliação americana contra o Brasil.
“Não se pode subestimar o nacionalismo, o patriotismo dentro de cada cidadão, que poderia vir a tolerar ou até esperar respostas mais duras e menos subservientes do governo brasileiro pela frente. Parte disso se traduz nos 19% que acham que o Brasil deveria diversificar seus parceiros comerciais e até se aproximar mais de rivais dos americanos, como a China, e dos 16% que já preferem uma postura retaliatória do governo brasileiro em resposta às medidas de Trump", concluiu.



