Maioria no Brasil tem visão negativa de Trump e positiva dos EUA, diz Atlas
Foram ouvidas 754 pessoas, entre 1º e 3 de abril; margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos
Pesquisa AtlasIntel feita com exclusividade para o programa GPS CNN deste sábado (5) aponta que a maioria dos brasileiros tem uma visão negativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas positiva dos Estados Unidos.
O levantamento aponta que quando questionados se têm uma impressão positiva ou negativa sobre o desempenho de Donald Trump na Presidência dos Estados Unidos, 51,2% dos brasileiros ouvidos disseram que a impressão era negativa; 40,5% disseram que era positiva e 8,3%, que não sabem.
Por outro lado, quando quando questionados se têm uma visão positiva ou negativa dos Estados Unidos, 54,6% responderam positiva e 36,3%, negativa. Já 9,1% falaram que não sabem responder.
A AtlasIntel também perguntou aos brasileiros sobre as medidas anunciadas por Trump até agora.
O tarifaço apresentado nesta semana pelo presidente americano foi majoritariamente rejeitado: 64% disseram que a medida é negativa.
Outros 30% veem o aumento de tarifas sobre produtos estrangeiros como positivo e 7% não souberam responder.
Ataque ao Capitólio: o que pensam os brasileiros?
A concessão do indulto para os manifestantes do ataque ao Capitólio foi visto como positiva para 36% e negativa para 52%, enquanto 13% não souberam responder.
Sobre as deportações em massa de imigrantes irregulares, 45% concordam, 47% discordam e 7% não souberam responder.
As negociações com a Rússia sobre guerra na Ucrânia são vistas como positivas para 68% dos entrevistados, ao passo que 12% veem como negativas. Outros 20% não souberam responder.
EUA fora de organizações internacionais
Por fim, 48% acham a medida negativa a retirada dos Estados Unidos de organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, por exemplo. Já 41% avaliaram como positiva a retirada dos EUA dessas organizações, enquanto 11% não souberam responder.
Para essas pesquisas, a AtlasIntel ouviu 754 pessoas, entre os 1 e 3 de abril. A margem de erro é de 3% para mais ou para menos. E o nível de confiança é de 95%.
O economista-chefe da Atlas/Intel, Camilo Rabelo, afirma que a pesquisa revela que o padrão brasileiro é seguido também por “outros países historicamente aliados dos EUA e que se viram no início da nova gestão sendo tratados como rivais”.
“Esse é o caso do Canadá e de diversos países da União Europeia, que sempre tiveram relações amistosas com americanos no âmbito político e social, mas que do dia para a noite as coisas mudaram”, elenca Rabelo.
“No caso canadense, principalmente, a abordagem de Trump fez ressuscitar as chances de vitória do Partido Liberal, do ex-primeiro-ministro Justin Trudeau e do atual Mark Carney nas eleições do dia 28 de abril", disse.
De acordo com ele, "as tarifas anunciadas no chamado ‘Dia da Libertação’ contribuem para um aumento em larga escala da percepção de que a gestão de Donald Trump tem trazido mais instabilidade para o mundo".
"Isso tanto do ponto de vista econômico quanto do de segurança, principalmente em relação à guerra russa na Ucrânia e a paz na Europa", complementa.
Rabelo aponta, porém, haver uma "boa notícia" na pesquisa: "Parece haver na avaliação do brasileiro uma diferenciação clara do que são e do que representam os Estados Unidos enquanto nação e do que representa o atual governo", declarou.
Ele destaca, contudo, que há uma parcela significativa da população brasileira que admira Trump.
"Há uma parcela relevante de 40% que possui uma imagem positiva do segundo mandato de Trump até aqui”, afirma.
“A pesquisa mostra que isso é muito pautado pelo apoio a algumas das medidas anunciadas, principalmente do ponto de vista econômico e da eficiência de gastos públicos, como redução de impostos para empresas americanas, o corte generalizado de gastos em agências públicas e até mesmo o retorno de funcionários públicos para o trabalho presencial.”
Apesar da “unilateralidade” dos EUA nas negociações com a Rússia sobre um fim à guerra na Ucrânia, “excluindo a própria Ucrânia e a Europa da mesa de negociações”, há também “um apoio à necessidade de pôr um fim ao conflito e a abertura de negociações simbolizaria essa disposição", concluiu.



