Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Marcola prepara estratégia de defesa e mantém lealdade a Lula

Aliados veem Sidônio liderando estratégia para afastar Marcola de Lulinha

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O ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Ribeiro Santana, o Marcola, prepara a estratégia de defesa para contrapor as denúncias de ligações com a empresária Roberta Luchsinger e com o filho de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Seus interlocutores garantem que ele manterá a lealdade a Lula e não fará nenhum movimento para prejudicar a campanha à reeleição.

Marcola recebeu um empréstimo de R$ 249 mil de Roberta, e mensagens vazadas apontam que ela encaminhou a ele uma cópia de um termo de referência para canabidiol e que pediu uma obra de arte a ela. Ele foi exonerado do cargo no Palácio do Planalto no dia 21 de julho, duas semanas antes de as denúncias contra ele aparecerem.

A ideia é se defender tanto juridicamente quanto do ponto de vista político e pessoal, uma vez que entende que, por ser um agente político, precisa justificar todos os seus atos para além de uma defesa meramente técnica. O foco será também resgatar sua imagem do ponto de vista reputacional.

Isso a despeito de seus aliados apontarem incômodo com a percepção de que o Palácio do Planalto tenta emplacar a ideia de que o caso de Marcola é mais grave do que o de Lulinha.

A avaliação entre pessoas próximas a Marcola é que está em curso uma vacina política por parte do governo para construir uma narrativa culpando Marcola caso Lula perca a eleição.

O movimento é atribuído nos bastidores ao marqueteiro da campanha, Sidônio Palmeira, apontado como alguém sem distanciamento para elaborar essa estratégia, dado o histórico de conflitos com Marcola. Ambos divergiram sobre trâmites do governo e da pré-campanha por diversas vezes.

Ainda assim, Marcola não fará qualquer ato para prejudicar Lula, garantem aliados. Ao contrário, dizem que ele é homem de partido e se mantém leal e fiel ao presidente, e que o projeto do PT é maior do que qualquer condição atual sua.

Do ponto de vista jurídico, o entendimento é de que seu caso não desperta preocupações, principalmente porque não há ato de ofício por parte dele que seja uma contrapartida ao empréstimo. A obra de arte ele não teria recebido, e o termo de referência não teve encaminhamento.

A avaliação é de que o caso só ganhou tamanho por motivos eleitorais e que os vazamentos visam prejudicar a candidatura à reeleição do presidente Lula, dada a proximidade de Marcola com ele. Ele trabalhava diretamente com o petista havia sete anos.

O sigilo dele já foi colocado à disposição de aliados, e não foi constatada nenhuma movimentação atípica, o que seria corroborado também pela ausência de alarmes no Coaf. O órgão automaticamente alerta para movimentações suspeitas acima de R$ 250 mil, principalmente para as chamadas Pessoas Politicamente Expostas, como Marcola.

O primeiro passo da defesa técnica é ter acesso aos autos, algo que ainda não ocorreu.

Depois, apresentar a documentação comprovando os argumentos já apresentados, como o de que os R$ 249 mil foram parte de um empréstimo.

A CNN procurou Sidonio e aguarda uma manifestação.