Messias prevê sabatina mais sobre STF do que sobre si
Indicado do governo Lula a vaga na Suprema Corte, advogado-geral da União espera ser questionado sobre Banco Master e ética no Judiciário

O advogado-geral da União, Jorge Messias, disse a interlocutores prever uma sabatina nesta quarta-feira (29), na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, mais sobre a crise de imagem e de credibilidade pela qual passa o STF (Supremo Tribunal Federal) do que sobre seu próprio histórico.
Messias vem se preparando para responder a pontos que entende que serão abordados pelos senadores, como o tema da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), chamada pela oposição de "Ministério da Verdade". Ele também espera que entrem na pauta a sua relação com o PT (Partido dos Trabalhadores) e seu papel no governo da ex-presidente Dilma Rousseff.
Mas Messias avalia, ainda segundo seus aliados, que a sabatina terá como foco muito mais o STF, o que avalia que exigirá grande habilidade nas respostas para não criticar ninguém e, ao mesmo tempo, não se abster de algumas posições que vêm sendo tratadas no debate público.
O chefe da AGU espera, por exemplo, ser questionado sobre a atuação profissional de parentes de ministros do STF e foi aconselhado a responder que não terá esse tipo de problema porque não é filho de juiz, sua esposa é psicóloga, suas irmãs médicas e seus filhos ainda são pequenos.
Sobre o contrato de R$ 129 milhões firmado pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e outro pontos sensíveis do caso Master, deverá dizer que não tem acesso a detalhes da investigação.
Mas pretende defender a necessidade de correição e autocontenção de um juiz e lembrar que foi o responsável pelo primeiro Código de Ética da história da Advocacia-Geral da União.



