Versão final de manifesto ao STF atenuou tom contra tribunal
Mudança é atribuída, nos bastidores, a lideranças mais próximas a Lula
A versão final do manifesto ao STF (Supremo Tribunal Federal), subscrito por lideranças empresariais e da sociedade civil, excluiu de seus termos um parágrafo que pedia explicitamente a realização de uma sessão aberta para debater o afastamento de quaisquer autoridades “suspeitas ou acusadas”, incluindo ministros da Corte sob suspeita.
A primeira versão do documento, obtida pela CNN, continha um parágrafo que defendia que “neste momento crítico e para lidar com o ineditismo da situação, não há espaço para outra solução: o Plenário da Suprema Corte, em discussão livre, pública e presencial, deve se pronunciar e quaisquer autoridades suspeitas ou acusadas devem ser afastadas da análise dos processos relacionados a elas, com ampla oportunidade para esclarecer os fatos à luz do devido processo legal”.
Na versão final, foi afastada a menção a que “quaisquer autoridades suspeitas ou acusadas devem ser afastadas”, e o trecho passou a mencionar apenas a exigência de que a Corte “examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo”.
Uma fonte relatou à CNN que a mudança se deveu a pedidos de lideranças empresariais mais próximas ao Palácio do Planalto, em especial as da região Nordeste. Foi mencionada especificamente a Confederação Nacional da Indústria, presidida pelo baiano Ricardo Alban, que teria ligações com o PT da Bahia.
Por essa avaliação, a exclusão da defesa do afastamento teria como objetivo evitar que o ministro Alexandre de Moraes se tornasse o principal alvo do manifesto e, por consequência, que o governo, por sua ligação com ele, fosse prejudicado. A CNN questionou especificamente a CNI sobre isso, mas não houve resposta.
Na Fiesp, porém, que também liderou a redação do manifesto e tem uma posição mais crítica sobre a crise do STF e sobre o próprio governo Lula, o entendimento é de que a versão final ficou sólida e resulta de um processo célere de recolhimento de centenas de assinaturas em três dias.
A leitura também é de que o mote de defesa da sessão pública está presente, além de deixar clara a ideia de que ninguém está acima da lei.
Questionado, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse: “Ninguém atenuou nada. Pelo contrário, o manifesto está bem duro. É só ler”, disse.



