Ciro Dias Reis
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Ciro Dias Reis

Especialista em comunicação e temas internacionais. Fundador e CEO da Imagem Corporativa, é board member da International Communications Consultancy Organization e membro do Copenhagen Institute for Future Studies. Foi também global chairman da rede global PROI Worldwide

Economia sólida faz da Espanha destaque na zona do euro, diz FMI

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Os impactos da guerra no Irã têm levado economistas e autoridades monetárias mundo afora a refazer as contas acerca do provável desempenho da economia em 2026. Em seu Panorama Econômico Mundial publicado este mês o FMI (Fundo Monetário Internacional) reduziu a previsão de crescimento global deste ano de 3,3% para 3,1%.

Ao mesmo tempo, o fundo monetário reviu, para cima, sua projeção para o Brasil: em lugar de 1,6% o FMI prevê agora que o país possa crescer 1,9% de janeiro a dezembro, graças a uma combinação de fatores onde se destaca o confortável volume de reservas cambiais (mais de US$ 366 bilhões em abril) e a manutenção do forte movimento de exportação de commodities, petróleo bruto incluído.

Uma estimativa otimista também é feita em relação à Espanha. “A economia espanhola continuou a apresentar um desempenho sólido, expandindo-se significativamente mais rápido do que os seus pares da zona euro”, diz o FMI.

Apesar do efeito adverso e da elevada incerteza decorrentes do conflito no Oriente Médio “prevê-se que o crescimento se mantenha robusto este ano” independente da alta dos preços do petróleo e do gás. Esta, segundo o FMI, deverá “ser atenuada por diversos fatores, incluindo a elevada participação das energias renováveis ​​na matriz elétrica” do país. E arremata: nessas condições, o avanço do Produto Interno Bruto “tende a ser de 2,1%” em 2026.

O FMI faz coro com o próprio Banco Central da Espanha, que elevou há poucos dias a previsão de crescimento econômico do país neste ano de 2,2% para 2,3%. Isso depois de um avanço de 2,8% do PIB em 2025, marca expressiva diante do 1,4% registrado no Reino Unido e da média de 1,3% na zona do Euro no ano passado. O número é ainda mais relevante se comparado ao desempenho de Alemanha (0,2%); França (0,9%) e Itália (0,5%). 

O novo cálculo do Banco Central levou em conta medidas de apoio fiscal adotadas para mitigar os efeitos da guerra no Irã. Não fosse por ela o PIB poderia crescer 2,4% em 2026, segundo a instituição.

A Espanha tem também outras cartas na manga. A principal delas é o turismo, responsável por 13% do PIB e que atrai mais de 94 milhões de visitantes todos os anos. O estável consumo interno é outro fator positivo.

E pode soar estranho, mas a imigração também ajuda. 

Enquanto a maior parte dos governos da Europa vê com reservas os movimentos migratórios, Madri se mostra receptiva a eles por motivos práticos.  Em discurso no parlamento há pouco mais de um ano, o primeiro-ministro Pedro Sánchez foi direto ao ponto: “A Espanha precisa escolher entre ser um país aberto e próspero ou um país fechado e pobre. É simples assim”.

Para além de uma visão humanitária, Sanchez fazia referência a cenários concretos. A taxa de natalidade do país é uma das mais baixas da Europa e sua população envelhece rapidamente. Mais de 20% dos 49 milhões de habitantes têm mais de 65 anos de idade (no Brasil essa parcela é de 11%). Isso significa que grande parte desse contingente já deixou de integrar a força de trabalho e faz jus a pensões pagas pelo governo.

A média de idade do país, que foi de 41 anos em 2012 é agora de 46 anos e deve superar os 50 anos em 2050.

Por isso Sánchez diz que aceitar a presença de imigrantes é uma maneira realista de garantir o crescimento econômico e dar suporte ao modelo nacional de bem-estar social que inclui, além de um amplo sistema de aposentadorias, os serviços universais de saúde.

A Espanha tem na energia outro vetor de suporte à expansão econômica. O aumento da participação das soluções renováveis nos últimos seis anos levou a uma queda de 40% nos preços para o mercado corporativo.

Tendo sob controle dois itens relevantes de custos como energia e salários (em parte graças a mão de obra estrangeira) o país segue atrativo para investimentos estrangeiros. E essa é mais uma variável que contribui para o vigor da atividade produtiva.

Todo esse cenário ajuda a explicar por que a revista The Economist classificou a Espanha, pouco mais de um ano atrás, como a economia de melhor desempenho do mundo.

É preciso lembrar que contribuíram para esse cenário os fundos Next Generation EU. Trata-se de mecanismo criado pela União Europeia em 2020 que destinou 750 bilhões de euros para que países do bloco pudessem se recuperar dos impactos da pandemia da Covid19 (que no caso espanhol derrubou o PIB em 11% em 2020). 

O programa financia iniciativas voltadas a inovação, transição energética, saúde e soluções digitais. O país, com 163 milhões de euros em subsídios e empréstimos, foi o segundo membro do bloco mais beneficiado, atrás apenas da Itália que recebeu 194 bilhões de euros.

Madri, de qualquer modo, está consciente de que há desafios à frente a serem enfrentados. Entre eles a manutenção de salários nivelados a inflação (3% ao ano, em condições normais), o déficit do governo e as mudanças recentes no comércio internacional. 

Os números, de qualquer forma, continuam jogando a favor. Até no futebol. 

No ranking dos clubes mais ricos da Europa o Real Madrid ocupa o primeiro lugar: sua receita foi de 1,161 bilhão de euros em 2025, seguido pelo arquirrival Barcelona, com 974,8 milhões de euros. A terceira força nacional, o Atlético de Madri, ocupa a 13ª. posição na lista, com receita de 454,5 milhões de euros.

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