Concentração de poder nas mãos dos líderes em IA cresce e preocupa
The Economist estampou na capa de sua edição da semana passada cinco líderes da tecnologia caracterizados como estátuas no estilo dos deuses gregos, com a seguinte legenda: “O momento Mythos”

“Qual magnata da inteligência artificial você considera o mais perigoso? Cinco homens controlam a IA. Quem deveria controlá-los?”
Era o que perguntava na semana passada Zanny Minton Beddoes, editora-chefe da respeitada The Economist, no convite para um webinar sobre o assunto enviado aos assinantes da revista inglesa.
Os magnatas que ela mencionava eram Sam Altman (OpenAI); Demis Hassabis (divisão DeepMind do Google); Dario Amodei (Anthropic); Elon Musk (xAI, Space X, Tesla); Mark Zuckerberg (Meta).
E arrematava: “Estou no meio de uma viagem de duas semanas pelos Estados Unidos, durante a qual conversei com autoridades do governo, magnatas dos negócios e líderes da revolução da IA. Raramente vi tantos especialistas tão alarmados”.
Embora os especialistas já estivessem debruçados sobre o tema há muito tempo, até o final de 2022 inteligência artificial era, para o cidadão comum, algo distante e pouco familiar.
Isso mudou repentinamente em novembro daquele ano quando foi lançada a primeira versão do ChatGPT pela OpenAI. Isso escancarou as portas de um universo de possibilidades para centenas de milhões de habitantes do planeta.
Hoje existem entre 1,5 bilhão e 2 bilhões de pessoas interagindo com esses sistemas inteligentes que assimilam novos conhecimentos com rapidez impressionante. Além do ChatGPT, outras soluções passaram a disputar corações e mentes.
CoPilot (Microsoft), Gemini (Google), Deepseek (startup chinesa), Claude (Anthropic) e Grok (xIA) também concorrem nesse recente filão de mercado, cada qual tentando se diferenciar por meio de funcionalidades específicas.
Mas além dos nomes mais conhecidos há vários outros correndo por fora na busca de fatias crescentes do bolo. É o caso, por exemplo, da Llama (que pertence a Meta); da startup americana Perplexity (que tem como investidores o fundador da Amazon Jeff Bezos, além de Nvidia e SoftBank); e da Midjourney (solução do laboratório de pesquisa americano de mesmo nome).
Segundo a empresa alemã de pesquisas Statista, trata-se de um mercado amplo que vai crescer substancialmente. Dos US$ 255 bilhões movimentados em 2025, prevê-se que os valores ultrapassem US$ 1,2 trilhão até 2030.
As empresas estão integrando rapidamente soluções e 78% delas já utilizam pelo menos uma função de IA no seu dia a dia.
Para a consultoria de negócios McKinsey, aquele contingente é ainda maior. Segundo sua própria pesquisa global, 88% dos executivos entrevistados afirmam que suas organizações já adotam a tecnologia em pelo menos uma função dos negócios, significativo avanço em comparação aos 78% de pesquisa similar realizada um ano atrás.
A mesma McKinsey estima que, entre 2016 e 2030, avanços relacionados à IA podem afetar cerca de 15% da força de trabalho global.
Os entrevistados em sua pesquisa global deste ano possuem diferentes expectativas em relação ao impacto no volume de empregos em suas próprias organizações no próximo ano: 32% esperam reduções; 43% não enxergam mudanças de patamar; 13% estimam que haverá aumento no número de vagas.
Segundo outras pesquisas recentes, sete em cada dez americanos acreditam que a inteligência artificial ameaça seus empregos.
Para a Gartner, consultoria internacional especializada em tecnologia, até 2028, pelo menos 80% dos governos terão implantadas soluções nesse campo, visando automatizar a tomada de decisões rotineiras, melhorando assim a eficiência, produtividade e a prestação dos serviços aos cidadãos.
É unânime a percepção entre os CIOs (Chief Information Officers) de que até 2030 vai desaparecer o trabalho de tecnologia da informação gerenciado apenas por humanos.
Dos 700 profissionais naquela posição entrevistados pelo Gartner no segundo semestre de 2025, 75% acreditam que pessoas comandarão os processos com auxílio de inteligência artificial. Outros 25% acreditam que as tarefas serão realizadas exclusivamente por meio de IA.
“Esses homens exercem um poder impressionante e podem moldar o futuro da humanidade. Dario, Demis, Elon, Mark e Sam têm tanta notoriedade que muitas pessoas conseguem identificá-los apenas pelos primeiros nomes. Eles governam o mundo da inteligência artificial”, define Zanny Minton Beddoes, da Economist.
A publicação estampou na capa de sua edição da semana passada aqueles cinco personagens caracterizados como estátuas no estilo dos deuses gregos, com a seguinte legenda: “O momento Mythos”.
A explicação está no anúncio da solução Mythos pelo Claude, da Anthropic, no dia 7 de abril. Seu alcance é surpreendente e identifica com precisão vulnerabilidades mesmo em softwares sofisticados.
Uma vez em mãos erradas, a ferramenta poderia ameaçar infraestruturas críticas como sistemas de defesa, bancos, hospitais, além de acessar dados sigilosos de cidadãos, empresas e órgãos públicos.
Dario Amodei, da Anthropic, ao anunciar a novidade disse considerar o Mythos perigoso demais para ser divulgado ao público em geral. Por isso decidiu reservar seu uso a um seleto grupo de 50 empresas das áreas de computação, software e finanças, para que elas possam otimizar seus sistemas de proteção de dados.



