Ciro Dias Reis
Blog
Ciro Dias Reis

Especialista em comunicação e temas internacionais. Fundador e CEO da Imagem Corporativa, é board member da International Communications Consultancy Organization e membro do Copenhagen Institute for Future Studies. Foi também global chairman da rede global PROI Worldwide

Jovens são maiores apoiadores da UE e foram decisivos na eleição da Hungria

Quais as percepções dos cidadãos locais em relação a União Europeia e quais suas preocupações em relação ao futuro?

Compartilhar matéria

O Parlamento Europeu realizou uma extensa pesquisa para conhecer as respostas a essas e diversas outras perguntas. Foram ouvidas 26.453 pessoas nos 27 países membros. Os resultados apontaram que os cidadãos mais jovens, entre os 15 e os 30 anos, são os maiores apoiadores do bloco e aqueles que mantêm as mais altas expectativas em relação às suas
atividades: 58% têm uma imagem positiva da UE (comparativamente a 49% e 43% nos grupos etários mais velhos).

Uma pesquisa do Centro de Pesquisa 21 da Hungria revelou, por sinal, que 65% dos eleitores com menos de 30 anos apoiaram Peter Magyar na vitória acachapante nas eleições da Hungria do último domingo (12) contra o eurocético e pró-Rússia Viktor Órban.

Também são os mais jovens do continente que defendem uma efetiva unidade entre os países membros no contexto atual de sensibilidades geopolíticas (90%), além de recursos crescentes para a UE (78%) e uma voz mais forte do bloco em nível internacional (87%). São consideradas áreas-chave para fortalecer a posição da região no cenário global: defesa e segurança (40%); competitividade e avanços na economia e na indústria (32%); independência energética, recursos e infraestrutura (29%).

Para 62% dos entrevistados a adesão de seus países a Bruxelas é um fator positivo. O número reflete um crescimento de dois pontos percentuais em relação ao índice apurado dois anos atrás.

A pesquisa foi divulgada dias antes da eclosão na guerra do Irã, em fevereiro, que aumentou ainda mais as tensões entre Europa e Estados Unidos no quesito defesa e fez subir os preços da energia. Esse novo desenho tem incentivado países da região a movimentações conjuntas destinadas a fazer frente a tais desafios adicionais, bem como criar proteções para eventuais novas ameaças geradas pelo atual ambiente de instabilidade.

Exemplos disso vão desde os esforços diplomáticos combinados da região para negociar uma solução para a escalada no Estreito de Ormuz até a defesa, por diferentes governos, do papa Leão XIV em relação às duras críticas recebidas de Donald Trump.

A pesquisa do Parlamento Europeu aponta que as principais preocupações dos cidadãos do continente são os conflitos de forma geral (72%), seguidos pelo terrorismo (67%) e os desastres naturais agravados pelas alterações climáticas (66%). Na sequência aparecem os ciberataques (66%) e a migração descontrolada (65%).

Bastante significativa é a parcela de entrevistados que desejam ver os países membros da UE mais unidos para enfrentar aquelas ameaças globais: 89%. Mais: 73% concordam que o bloco precisa de recursos adicionais para realizar essa tarefa.

Independente dos conhecidos desafios geopolíticos, econômicos e sociais de uma Europa claramente estressada, é no continente que estão quinze dos vinte países com as populações mais felizes do planeta, segundo o World Happiness Report, da ONU. O trabalho mede os níveis de satisfação com a vida atual e as perspectivas de futuro de cidadãos de todo o mundo.

O destaque do ranking é para os escandinavos: a Finlândia lidera, seguida por Islândia (2º. Lugar) e Dinamarca (3º). A Suécia vem em quinto lugar e a Noruega, em 6º.

Em comparação com outras geografias os habitantes do continente geralmente desfrutam de uma qualidade de vida superior devido aos níveis relativamente altos de renda, bem como ao maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

O índice de satisfação com a vida da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) também destaca o patamar de bem-estar encontrado na região. Seu Quality of Life/Better Life Index mostra que lá estão sete dos dez países melhor classificados na lista, que tem no topo a Noruega e é seguida por Australia; Islândia; Canadá; Dinamarca; Suíça; Finlândia; Holanda e Estados Unidos.