Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Aliados veem Marina Silva muito propensa a voltar ao PT

Ministra negocia retorno ao antigo partido para disputar o Senado; disputa com Heloisa Helena na Rede é pano de fundo

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Marina Silva está muito propensa a aceitar a proposta para se refiliar ao PT e disputar as eleições do ano que vem, de acordo com fontes próximas à ministra do Meio Ambiente.

Como a CNN Brasil revelou no mês passado, as conversas entre Marina e o PT nasceram da ideia de construir uma chapa forte no maior colégio eleitoral do país, São Paulo, garantindo inclusive um palanque sólido para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As negociações foram pausadas na virada do mês porque Marina foi hospitalizada com uma pequena fratura na coluna.

Mas a ministra se recupera bem e está trabalhando de casa. A ideia é que a negociação seja retomada na esteira dos preparativos para a corrida eleitoral.

A chapa tida como ideal, segundo fontes petistas envolvidas diretamente nas negociações, coloca Marina na disputa para o Senado por São Paulo, ao lado da também ministra Simone Tebet (MDB).

O PT quer convencer Fernando Haddad a se somar à chapa, com a candidatura ao governo de São Paulo.

Há especulações sobre uma candidatura de Marina à Câmara, caso tal chapa não se concretize. Mas a ministra, até segunda ordem, descarta a alternativa.

Nesta semana, a articulação do PT para atrair Marina de volta aos quadros da legenda ganhou um novo pano de fundo: o retorno da ex-senadora Heloisa Helena ao Congresso como deputada, na vaga aberta temporariamente com a suspensão de Glauber Braga.

Ex-integrante do PT e um dos quadros históricos da esquerda, Heloisa Helena é suplente do parlamentar e assumirá o mandato por seis meses.

Marina Silva e Heloisa Helena passaram a travar uma forte disputa na Rede Sustentabilidade, na medida em que o grupo de Heloisa passou a dar as cartas no comando partidário.

E foram justamente essas tensões que abriram margem para que Marina cogite deixar a sigla que ela própria ajudou a criar.

Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, está em gestação uma resolução interna que poderia aumentar o poder de decisão do comando nacional da Rede na montagem de palanques regionais.

Uma concentração de poder nas mãos do grupo de Heloisa Helena seria um ingrediente adicional para favorecer a volta de Marina ao PT.

A negociação para que Marina Silva retorne ao seu antigo partido tem aval expresso do presidente Lula.

Marina tem colocado nas conversas que existem algumas condições para que ela cogite aceitar a proposta.

Primeiro, Marina tem dito que não quer entrar em bola dividida com Fernando Haddad, dada a relação próxima entre os dois.

O nome de Haddad é ventilado por setores do PT também para concorrer ao Senado. Outra condição colocada por Marina Silva é um compromisso da chapa e do governo com pontos que considera cruciais na pauta ambiental. Marina também conversa com outras legendas, como o PSB.