Análise: Alta de Cury evidencia eleitor desencantado com a polarização
Escritor alcança 11% das intenções de voto e mostra desgaste profundo do embate entre direita e esquerda
A segunda-feira foi aberta com um número que certamente pegou muito chefe de campanha e muito marqueteiro de surpresa. Augusto Cury, escritor que se lançou candidato a presidente pelo Avante, alcançou 11% das intenções de voto no primeiro turno da corrida presidencial, segundo a mais recente pesquisa BTG/Nexus.
É o primeiro candidato fora da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) a alcançar dois dígitos numa pesquisa. Cury ficou na terceira colocação, atrás de Lula e Flávio. Ultrapassou nomes como Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão).
Há argumentos consistentes para que as campanhas expliquem esse resultado na pesquisa. O desempenho de Cury, naturalmente, pode ter sido impactado pela margem de erro de dois pontos, para mais ou para menos. Mas, principalmente, pode ser um reflexo do noticiário aquecido sobre corrupção — com os casos Lulinha e Dark Horse disputando as manchetes nas últimas semanas.
Mas nada disso muda o fato de que o levantamento evidencia um sentimento relevante de uma parcela expressiva do eleitorado: um desencantamento com a polarização e um cansaço com os nomes que emergem desse embate entre esquerda e direita.
Tudo indica que o eleitor brasileiro está cansado de mais do mesmo. E começa a duvidar que os postulantes que hoje lideram a corrida presidencial serão capazes de reverter os problemas que afligem o país, muitos deles que seus próprios governos ajudaram a criar.
Pode ser só um voo de galinha. Mas o fato é que os dois líderes da corrida presidencial parecem falhar em captar a atenção do eleitor — e principalmente reter seu voto — nesta largada da campanha.



