Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Análise: confronto Tarcísio x Haddad fala mais alto que eleitor no debate

Corrupção e comparação de projetos ganharam espaço no embate na Rede Globo entre candidatos em São Paulo

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Expressões em inglês, uma enxurrada de termos fiscais, irritação visível e troca de acusações permearam muito do que se viu na tela da Rede Globo durante o debate que colocou frente a frente mais uma vez Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad.

Em um embate tenso, com várias subidas de tom, o confronto pessoal entre o governador e o ex-ministro da Fazenda acabou falando mais alto que o diálogo com o eleitor.

O que se viu no debate parecia refletir ao menos em parte o que se vê nas pesquisas de intenção de voto. Do lado de Haddad, muitas das intervenções sugeriam um empenho em evitar uma vitória de Tarcísio já na primeira etapa de votação.

Haddad foi para cima do adversário desde o início do debate. Procurou apontar falhas da atual gestão, acusou o não cumprimento de promessas e tentou colar no rival problemas do governo Jair Bolsonaro (PL) na Presidência. A tentativa maior foi desconstruir Tarcísio – embora as considerações finais tenham sido reservadas em grande parte a um reforço na missão de ajudar a campanha de Lula, com duras críticas a Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto.

Mostrando-se irritado com os ataques do adversário em mais de uma ocasião, Tarcísio empenhou-se em defender a administração paulista. Mas, em alguns momentos, desviava para tecnicalidades e detalhes administrativos do governo. Muitas vezes falando uma língua difícil de ser compreendida pela maioria dos eleitores que assistiam em casa.

O tema da corrupção também teve destaque. A lista de menções incluiu, por exemplo, caso Master, Lulinha, Operação Lava-Jato, a ação do crime organizado no Estado e a operação contra o ex-vereador Milton Leite.

Muitas desses ataques olhavam para o que ocorre na política nacional. Um sinal de que, assim como ocorreu no debate da Band um mês atrás, o confronto da TV Globo também teve ares de um ensaio para uma possível corrida presidencial em 2030.