Análise: Desejada por Lula e Bolsonaro, polarização é posta à prova
Petista e Flávio amarraram as pontas do espectro político, mas centro ainda não mostrou a que veio

Nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem o time do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) escondem nos bastidores um desejo comum: reproduzir nas urnas em outubro a polarização que marcou o último confronto pelo Palácio do Planalto.
Aos olhos do PT, é este o cenário que garante as melhores chances de Lula conquistar mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto. No campo oposto, cristaliza-se uma aposta na sobrevivência do clã Bolsonaro no comando da direita brasileira.
Nas primeiras pesquisas de intenção de voto divulgadas na largada deste ano eleitoral, Lula se mantém na dianteira em todos os cenários. E o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicado para representar o ex-presidente na corrida ao Planalto, chega com um alcance maior que o projetado inicialmente. Aos poucos, o filho parece absorver boa parte dos votos antes dedicados ao pai.
Tudo de acordo com o plano, não fosse um porém: a prisão de Jair Bolsonaro mudou o jogo político. O Brasil de 2026 não é o mesmo de 2022. Os discursos daquele tempo não se encaixam mais na cena de hoje.
Lulismo e bolsonarismo
No fim do dia, a sobrevivência da polarização desejada por lulismo e bolsonarismo vai depender de fatores que vão muito além da vontade de ambos os lados.
Lula, mesmo favorito, ainda custa a amarrar o apoio de partidos que tiraram proveito da vitrine governamental nos últimos três anos. O petista larga em vantagem, mas a margem é estreita para quem tem a máquina governamental na mão. E algumas das entregas ainda custam a sair.
Já o bolsonarismo vê uma centro-direita ensaiando voo próprio: governadores como Romeu Zema (Novo), Ratinho Junior (PSD) e Ronaldo Caiado (União), todos de olho numa fatia dos votos do ex-presidente. Mais do que isso, o time de Bolsonaro parece custar a arrumar a própria casa. Afinal, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) segue deixando no ar a ideia de que pode entrar de última hora na disputa. E até a ex-primeira-dama Michelle acena ao governador.
Em resumo, Lula e Bolsonarismo conseguiram amarrar as duas pontas do espectro político naquela dinâmica de arqui-inimigos que guiou a polarização política no Brasil anos atrás. Mas nenhum dos dois lados conseguiu prender até agora aqueles que estão no meio do caminho. E é ali que a eleição será decidida.



