Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Análise: em prévia de 2030, Haddad e Tarcísio devolvem civilidade ao debate

Candidatos nacionalizam discurso, fazem confronto com cara de corrida presidencial e deixam para trás ataques de 2024

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Quem assistiu ao debate estadual deste domingo, realizado no maior colégio eleitoral do país, custaria a enxergar ali um confronto com cara de primeiro turno na corrida ao Palácio dos Bandeirantes.

De um lado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chefe do Executivo no maior estado brasileiro e queridinho do mercado para um voo ao Palácio do Planalto.

Do outro, Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda, que já disputou a Presidência da República e tido como principal herdeiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sem nenhum outro adversário competitivo, os dois ocuparam sozinhos os estúdios da TV Bandeirantes.

Foi um debate com cara de segundo turno. Mas, mais do que isso, foi um debate com cara de disputa presidencial. Uma espécie de ensaio para o que pode vir pela frente em 2030, já que ambos são cotados como potenciais candidatos ao Planalto no futuro.

Haddad e Tarcísio fizeram um debate duro. Fizeram críticas mútuas, ambos apontaram inconsistências nas declarações feitas pelo adversário.

Confrontaram números, compararam projetos para o estado e o país, apontaram o dedo para o que enxergam como erros do rival e de governos que lhes dão sustentação. Houve cobranças por transparência e acusações de que o adversário mente ao eleitor.

Mas o que se viu na transmissão deixou para trás, de longe, cenas grotescas que marcaram as últimas eleições, em 2024, em especial na capital paulista.

Não houve ataques baixos, nem palavrões, agressões físicas entre marqueteiros e assessores de candidatos, xingamentos ou cadeiradas. No máximo, uma confusão entre um cinegrafista e um jornalista que disputavam espaço na cobertura, um problema rapidamente resolvido pela segurança da emissora.

É fato que tanto Haddad quanto Tarcísio nunca compartilharam do modo "baixaria" nos debates. Mas também não muda o fato de que os dois nomes a liderarem a disputa pelo governo de São Paulo se empenharam em disputar uma eleição de forma civilizada e democrática. Deveria ser a regra.