Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

“Fator Eduardo” acirra tensão no time de Flávio Bolsonaro

Aliados se dividem sobre risco político do envolvimento do ex-deputado na campanha do irmão

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O julgamento do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) no STF (Supremo Tribunal Federal) tem contribuído para acirrar as tensões no time do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Embora uma ala próxima ao pré-candidato do PL defenda que Eduardo cumpre o papel de manter mobilizada a militância mais à direita, parte dos olhares se volta para o risco político que cerca o ex-deputado.

Acusado de coação no curso do processo, por sua atuação junto ao governo Donald Trump nos Estados Unidos, Eduardo terá seu caso julgado nesta semana no STF. A Defensoria Pública, responsável por representar o ex-deputado, tentou adiar a análise, mas teve o pedido recusado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Nos bastidores do STF, o clima é favorável a uma condenação. E o timing, admitem bolsonaristas ouvidos pela CNN, pesa para Flávio. Até porque o assunto volta à tona num momento em que o senador ainda tenta se recuperar do abalo provocado pelas notícias sobre seu elo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse.

Mas há no time do senador quem defenda que o processo contra Eduardo tem ao menos alguns efeitos que podem se somar aos objetivos da pré-campanha. O julgamento, exemplifica um interlocutor do senador, alimenta o confronto entre o bolsonarismo e o STF, mais especificamente o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes.

O mesmo aliado minimiza as críticas de Eduardo a outros candidatos no campo da direita – como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). A tese é que elas até ajudam a proteger a polarização entre Flávio e Lula (PT). E que, mesmo que as falas acirrem o debate neste momento, elas seriam insuficientes para inviabilizar uma composição no segundo turno.

Mas, independentemente do julgamento, alguns aliados próximos de Flávio enxergam no irmão uma pedra no sapato do senador.

Em uma conversa relatada por um interlocutor à CNN, o próprio pré-candidato do PL já teria manifestado reservadamente a preocupação com o papel do irmão na campanha e mesmo em um eventual governo. A conversa, ainda de acordo com o relato, teria ocorrido na época em que Flávio ventilou o nome de Eduardo para comandar o Itamaraty em um eventual governo.