Time de Lula vê Flávio empoderado e Bolsonaro mais longe do jogo eleitoral
Restrições da prisão domiciliar dão protagonismo ao senador na condução da campanha
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a prisão domiciliar concedida a Jair Bolsonaro tende a ter como efeito colateral um afastamento do ex-presidente da tomada de decisões sobre o processo eleitoral. A tese é que as restrições rigorosas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, com a limitação de visitas até mesmo para os filhos, podem se traduzir também em um empoderamento de Flávio Bolsonaro junto ao seu grupo político.
Listado como advogado de Bolsonaro, Flávio terá acesso ao pai não só como familiar, mas também dentro da agenda jurídica prevista por Moraes.
Embora o esquema seja bastante engessado - com limite ao tempo de visita e agendamento prévio -, a tendência é que ele se firme como porta-voz do pai junto a todos os demais agentes políticos envolvidos na articulação de palanques da eleição. Com acesso livre ao ex-presidente, Michelle Bolsonaro também deve ter um papel relevante na condução das discussões.
Embora olhem com atenção para o que entendem como um possível fortalecimento interno de Flávio, aliados de Lula entendem que a prisão domiciliar favorece a estratégia petista para eleição. O principal fator está no fato de esvaziar o discurso de Flávio e outros bolsonarismos sobre o estado de saúde do pai.
Já há várias semanas, fontes próximas a Lula se dizem preocupados com o que chamam de “martirização” de Bolsonaro. O tema, afirmam, vinha ajudando a manter a base bolsonarista mobilizada e alimentou a dinâmica de contraposição ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. A conclusão é que, com Bolsonaro em casa, o debate sobre a saúde do ex-presidente perde relevância para o debate nacional.



