Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Ala do bolsonarismo vê candidatura morna de Flávio e ainda ronda Tarcísio

Nesta terça, senador criticou pressões sobre o governador paulista: "Está com a gente"

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Silenciosamente, uma ala do próprio bolsonarismo segue enxergando com desconfiança a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-SP) ao Palácio do Planalto. O grupo age de maneira discreta, mas ainda ronda o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para uma entrada tardia na disputa.

Os relatos olham com preocupação para o tom dado até o momento à pré-campanha do senador. Uma avaliação é de que Flávio, até o momento, dialoga apenas com o chamado bolsonarismo raiz. Ou seja, prega para convertidos. E ainda não encontrou uma receita para conversar com o eleitor de centro.

Um dos movimentos que contribuem para acirrar a desconfiança é a recente viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. O senador repetiu o script de seu irmão Eduardo, na esperança de demonstrar uma proximidade com a administração de Donald Trump. Mas a ideia de garantir uma foto ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio, fracassou.

Nesta terça-feira, Flávio veio a público para dizer que confia na “lealdade” de Tarcísio. “Ele já declarou que é candidato à reeleição em São Paulo, já declarou que vai me apoiar”, afirmou, criticando pressões sobre o governador paulista. “No momento certo, do jeito dele, ele vai declarar um apoio mais explícito”, acrescentou Flávio.

A tese que guia os mais desconfiados é que, da forma como vem sendo conduzida, a campanha de Flávio deixa aberta a porta para mais candidaturas no campo da direita, o que pode favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu plano de reeleição.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), por exemplo, avisou que não irá se retirar da disputa e negou qualquer plano de discutir a vaga de vice na chapa de Flávio. O PSD também segue ventilando o nome do governador do Paraná, Ratinho Junior.

Até o ex-ministro Aldo Rebelo, que já integrou governos petistas e se voltou ao campo da direita nos últimos anos, passou a se apresentar como pré-candidato. O nome ventilado para ser seu vice é Fábio Wajngarten, ex-ministro de Bolsonaro.

Na visão dos mais críticos, outro fator contribui para acentuar um isolamento de Flávio: a fragilidade da saúde de Jair Bolsonaro e seu distanciamento das discussões internas a respeito das eleições deste ano.