Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Aliados de Lula temem “efeito Teflon” de Flávio em debate sobre tarifaço

Ala do governo olha com desconfiança para polarização sobre taxação e diz temer interferência de Trump na eleição

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Em meio à ofensiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em resposta ao novo tarifaço de Donald Trump, uma ala do governo passou a olhar com alguma desconfiança para um dos principais focos da estratégia adotada até agora pela gestão petista: carimbar no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a responsabilidade pela nova leva de tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.

Discretamente, alguns aliados de Lula dizem temer uma espécie de “efeito Teflon” do senador do PL. A tese é que a politização das taxas até garante um desgaste inicial para rival, mas que pode não se sustentar até a eleição. E que trazer o assunto para o centro do debate eleitoral favoreceria um cenário preocupante quando o assunto é a corrida presidencial: uma interferência explícita de Trump na eleição.

A ideia de carimbar o tarifaço em Flávio — desenhada sob o slogan do “Tariflávio — tornou-se nas últimas semanas um dos maiores focos da comunicação da campanha de Lula. O plano é aproveitar o momento para impor o desgaste a Flávio e embalar mais uma vez o discurso da soberania, contribuindo para recuperar a popularidade do petista.

Os mais críticos defendem que o governo deve sim aproveitar para desgastar Flávio, porém direcionando aos poucos as discussões para o campo técnico, por meio do Itamaraty e das pastas envolvidas na negociação comercial, como Fazenda ou Indústria e Comércio.

Esse grupo avalia que Trump trabalha com o principal objetivo de conseguir a abertura de mercados estratégicos no País, como terras raras e etanol. E que o melhor caminho neste momento seria não alimentar o componente político das negociações.