Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Aliados veem Haddad mais próximo da eleição em São Paulo

Apesar da resistência do ministro da Fazenda, petistas enxergam sucessão de Lula como fator nas negociações

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Integrantes do governo e do PT avaliam que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está mais próximo de ingressar na disputa eleitoral em São Paulo, apesar das sucessivas manifestações rejeitando uma candidatura no ano que vem.

A ideia é convencê-lo a liderar a candidatura ao governo paulista em um projeto que também envolveria a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo petistas próximos a Haddad, com bom trânsito no Palácio do Planalto, o ministro reitera que prefere não disputar a eleição.

Ainda assim, aliados enxergam um argumento principal para convencê-lo: independentemente do resultado das urnas, a candidatura o fortaleceria como potencial sucessor de Lula em 2030.

No pior cenário, de derrota na disputa estadual, Haddad retornaria ao governo em um eventual quarto mandato de Lula, desta vez para comandar a Casa Civil. Em caso de vitória — meta que o próprio partido entende como desafiadora — passaria a governar o maior Estado do país.

Em ambos os casos, dizem interlocutores, Haddad ficaria melhor posicionado como o nome para herdar o capital político de Lula.

Para concorrer ao governo de São Paulo, Haddad precisa se desincompatibilizar do cargo de ministro da Fazenda até abril do ano que vem, prazo limite previsto pela legislação eleitoral.

Nos bastidores, petistas admitem que a saída do ministro é determinante também para a construção de um plano B para Lula na corrida presidencial.

Mesmo com Lula decidido a disputar a reeleição, petistas consideram válida a ideia de manter um nome no banco de reservas, dada a idade avançada do presidente.

Outra possibilidade, reconhecida com discrição por poucos petistas, seria uma eventual desistência de Lula. Nesse caso, o presidente poderia abrir mão da disputa caso o cenário político apontasse risco de derrota. Hoje, no entanto, aliados garantem que Lula segue firme na candidatura e confiante na reeleição.

De qualquer forma, o destino de Haddad deverá ser definido somente após uma conversa com Lula. Fontes próximas ao presidente e ao ministro afirmam que o encontro ainda não ocorreu e não tem data marcada.

Uma fonte próxima a Haddad reconheceu que o ministro já disse “não” a Lula outras vezes, mas a importância do palanque paulista para a reeleição deve pesar na decisão.

No círculo mais próximo a Haddad, já caiu drasticamente a especulação sobre uma eventual candidatura ao Senado. Há o entendimento de que o ministro dificilmente abraçaria a missão.

Além disso, uma derrota para o Legislativo, resumiu um aliado, seria pesada demais para sua imagem dentro do partido.