Análise: BC deu saída honrosa para problema que o próprio TCU criou
Por trás da promessa de dar um “selo de qualidade” ao BC, tribunal amarga recuo no caso do Banco Master

O que se viu nas últimas 24 horas no caso do Banco Master nada tem a ver com a concessão de um “selo de qualidade” à liquidação da instituição, como afirmou publicamente o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo. Construiu-se na reunião realizada ontem entre o TCU e o Banco Central uma “saída honrosa" para a Corte, resultado de uma operação para estancar um problema que ela própria criou.
A solução veio pela mão, forçada indiretamente nos bastidores, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) . O presidente acionou uma engrenagem que desembocou na reunião entre Vital do Rêgo e Gabriel Galípolo.
O presidente do TCU saiu dali com a perspectiva de que o BC retirasse os recursos contra a inspeção, o que levaria o assunto ao plenário da Corte. O desfecho provável, dado o clima nos bastidores do tribunal, era de uma possível derrota do relator Johnatan de Jesus, que vinha sendo bancado pelo próprio Vital. Um constrangimento tido como desnecessário até por outros ministros da Corte.
O presidente do TCU saiu da reunião e falou à imprensa sozinho. Um script claramente desenhado como parte desse plano de dar uma saída honrosa à Corte. Mas o BC, embora tenha deixado a ideia correr, preferiu ficar fora da foto.
A tendência, agora, é que a inspeção do processo de liquidação do Banco Master – repaginada para ganhar um contorno de verificação técnica - seja célere. Nem mesmo um mês, como disse o próprio presidente do TCU. E executada por um time técnico, sem o componente político que guiou grande parte do noticiário sobre o caso nas próximas semanas.



