Análise: Carro de luxo do INSS traz más lembranças para o governo
Planalto minimiza efeito político da crise e insiste que é Lula quem investiga corrupção
O Brasil já viu esse filme. Carro de luxo na garagem de um político, até que, um belo dia, descobre-se que o veículo é fruto de um esquema de corrupção. A cena parece se repetir agora, na nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta manhã pela Polícia Federal.
As investigações ainda estão em andamento. Mas, um dos alvos, foi o senador Weverton Rocha (PDT). Segundo a PF, ele atuava como braço político dos desvios em aposentadorias e pensões, uma espécie de “sócio oculto” do esquema.
Os mais de 50 mandados executados hoje resultaram na apreensão de vários bens de luxo. Entre eles, um Volvo. Segundo apuração de Elijonas Maia, ainda não é possível dizer se o tal carro pertencia de fato a Weverton, nem quem pagou por ele. Mas, ainda segundo a apuração, foi na casa do senador que o veículo foi apreendido.
Vale lembrar que, em 2005, no auge da crise do Mensalão, veio à tona a notícia de que a GDK, empresa que prestava serviços para o governo, presenteou o então secretário-geral do PT, Silvio Pereira, com um jipe de altíssimo padrão. Ali, nasceram as manchetes do “Silvinho Land Rover”.
Anos depois, no auge da Operação Lava Jato, o então diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa teve seu próprio carro de luxo apreendido. Um Range Rover Evoque. Foi esse veículo que permitiu à Polícia Federal estabelecer o vínculo entre o executivo da estatal e o doleiro Alberto Youssef.
Um carro é apenas um bem entre tantos outros apreendidos. Segundo a PF, a operação de hoje apreendeu ainda outros carros, relógios, celulares e até armas. Mas a ideia de qualquer envolvido num esquema de corrupção circulando por aí num carro de centenas de milhares de reais é algo que fica impresso no imaginário popular.
Diante dos novos desdobramentos dessa crise, o governo tem sido categórico em dizer que é Lula quem está trazendo à tona os desvios no INSS. É sob seu comando que atua a Polícia Federal. E que ninguém será blindado. "Quem estiver envolvido vai pagar o preço", disse Lula.
Soma-se a isso o argumento frequente de que os desvios no INSS começaram na gestão de Jair Bolsonaro. E só vieram à tona no atual governo. Mas isso não impede a oposição de explorar politicamente toda a crise, ainda mais às vésperas de um ano eleitoral. Inclusive um carrão apreendido na garagem do vice-líder do governo.



