Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Análise: “Haddad pistola” veio para ficar? A aposta é que sim

Características do ministro da Fazenda que antes alarmavam marqueteiros viram trunfo no enfrentamento ao bolsonarismo

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Em tempos de campanha, marqueteiros e estrategistas costumam cansar a garganta para explicar aos candidatos que é preciso ter cuidado com o tom das respostas.

Perto da eleição de 2022, um amigo do então candidato ao governo paulista Fernando Haddad narrou a esta analista uma dessas conversas. Haddad, segundo essa fonte, “virava bicho” quando criticavam sua gestão na Prefeitura de São Paulo. Falava-se em “arrogância” e na necessidade de medir palavras.

Tudo isso caiu por terra nesta semana, diante da participação do ministro em uma audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.

Entre aqueles aliados de Haddad que sempre o apoiaram na disputa interna do PT — são pouquíssimos, diga-se de passagem —, o clima nos últimos dias foi de absoluta empolgação.

A avaliação que se faz agora é que aquelas características de Haddad que davam trabalho aos marqueteiros se tornaram um trunfo no contraponto ao bolsonarismo. Surgiu ali, nas palavras de um aliado, um “Haddad pistola” capaz de enquadrar sucessivamente os adversários.

Dois trechos, em especial, empolgaram o time petista.

No primeiro, Haddad rebate a tese de que o governo Lula (PT) gerou déficit fiscal, mandando o deputado Filipe Barros (PL-PR) fazer o exame de DNA: “O filho é teu, tem que assumir a paternidade”, afirmou Haddad (veja abaixo).

O segundo veio quando Haddad rebateu Abílio Brunini (PL-MT), que o chamou de negacionista, afirmando sucessivas vezes que “a terra é redonda”.

A avaliação de pessoas próximas a Haddad é que essa versão do ministro da Fazenda veio para ficar. E, contrariando todas as orientações das campanhas passadas, essa tende a ser uma de suas características principais para uma candidatura presidencial futura.

Questionado se nasceu ali um novo Fernando Haddad candidato ao Planalto, um amigo do ministro da Fazenda disse ao blog que esse filho é o mesmo que nasceu tempos atrás. A diferença, prosseguiu, é que agora ele está “entrando na adolescência”.