Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Análise: Incerteza ainda é a grande marca da eleição de 2026 em SP

Definições no maior colégio eleitoral do País dependem diretamente dos rumos da corrida ao Planalto

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Os números da pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira (22) oferecem, à primeira vista, um cenário supostamente sólido na corrida estadual em São Paulo.

Um governador bem avaliado demonstra uma excelente vantagem sobre outros cotados.

Como seu principal adversário, ressurge um nome conhecido dos eleitores paulistas.

Um ex-governador, dono de uma trajetória política intimamente ligada ao Estado. Hoje alinhado ao governo Lula. Um embate forte entre direita e esquerda.

Tudo resolvido? Nem de longe.

Na pesquisa Quaest, Tarcísio de Freitas, o governador bem avaliado, é dono de 43% das intenções de voto.

Geraldo Alckmin, o ex-governador e velho conhecido dos eleitores paulistas, vem em seguida, com 21%.

Abaixo deles, a melhor colocada é Erika Hilton, do PSOL, com 8%. Seguida de Paulo Serra (PSDB), com 3%, e Felipe D’Ávila (Novo), com 2%.

Pois não há muito pouco ou nada que se aproxime de certeza no cenário que se apresenta.

Embora bem avaliado, Tarcísio é tido hoje como o nome mais competitivo da direita para herdar o capital político de Jair Bolsonaro.

Uma eventual candidatura ao Palácio do Planalto depende de inúmeros fatores, como o desempenho do presidente Lula nas pesquisas e as chances de a direita se unir em torno de um único nome. Mas está muito longe de ser descartada.

Alckmin, por sua vez, é vice-presidente da República. E, por tudo o que corre nos bastidores, não tem o menor interesse de trocar a cadeira de número dois na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por uma corrida incerta em São Paulo.

Pode até optar por esse caminho se for preterido na montagem da chapa. Mas há quem acredite que nem assim ele se arrisca na empreitada.

Prefere se aposentar com a alma lavada depois de se sentar na cadeira de vice-presidente.

Diante desse quadro, o que não falta nos bastidores é movimentação de outros nomes, seja na direita ou na esquerda, de olho no Palácio dos Bandeirantes.

Se Tarcísio vier a se lançar ao Planalto, nomes como Gilberto Kassab (PSD) e Ricardo Nunes (MDB) imediatamente ganharão força nas conversas.

E se Alckmin repetir a dobradinha nacional com Lula? Márcio França provavelmente estaria a postos à disposição do PSB. E haveria no campo da esquerda outras alternativas com recall eleitoral, como Guilherme Boulos (PSOL).

Sem contar que o cenário vislumbrado pela Quaest desconsidera uma candidatura do PT ao governo paulista.

Existe de fato uma possibilidade de o partido ficar fora da corrida ao Palácio dos Bandeirantes.

A questão é que São Paulo é um colégio eleitoral crucial para o plano de reeleição do presidente Lula.

Seria necessária uma composição muito forte para o PT desistir de disputar.

Se optar por entrar na eleição paulista, o PT tem algumas alternativas.

Alexandre Padilha, por exemplo. Mas a legenda ainda precisa lidar com outro dilema, que passa pela corrida presidencial.

Convencer Haddad

Uma possibilidade aventada é convencer Fernando Haddad a deixar o Ministério da Fazenda e disputar as urnas em São Paulo.

Há quem fale no governo paulista, há quem fale no Senado. E há quem reconheça o que não é mistério para ninguém: seria bom ter Haddad no banco de reservas, para o caso de Lula se retirar da disputa presidencial.

Por essa conta, se perto da eleição o cenário estiver difícil para o governo, as taxas de desaprovação estiverem em alta e a direita se fortalecer, haveria a possibilidade de Lula desistir da candidatura e passar o bastão.

Para eventualmente assumir a candidatura, Haddad precisa se desincompatibilizar do cargo no Ministério da Fazenda no prazo estipulado pela lei eleitoral, em abril do ano que vem.

Mesmo sem saber o que vem pela frente. Uma decisão para lá de complicada para ele próprio, para o governo, para Lula e para o PT.