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    Clarissa Oliveira

    Clarissa Oliveira

    Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações, como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

    Análise: Lula mordeu isca e agora corrige rumo no confronto com Musk

    Aliados mudam discurso sobre polêmica envolvendo bilionário e passam a defender que presidente evite embate direto

    Análise: Lula mordeu isca e agora corrige rumo no confronto com Musk
    Análise: Lula mordeu isca e agora corrige rumo no confronto com Musk

    Em um intervalo de 24 horas, a retórica de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos bastidores mudou.

    Ontem, petistas com trânsito livre no Palácio do Planalto celebravam nas conversas reservadas a alfinetada do presidente no bilionário Elon Musk.

    Nos relatos feitos à CNN na tarde de quarta-feira (10), falava-se em “oportunidade”. E celebrava-se o fato de o presidente agora poder se contrapor a um “inimigo externo”.

    A fala que provocou toda essa animação aconteceu em um evento em Brasília, em que Lula não citou Musk nominalmente. Mas a referência era cristalina.

    Ele falava sobre o “crescimento do extremismo de extrema direita”, que, segundo ele, permitiu que “um empresário americano, que nunca produziu um pé de capim neste País, ouse falar mal da Corte brasileira, dos ministros brasileiros e do povo brasileiro”.

    O entusiasmo durou pouco. Ao longo do dia de ontem, ficou evidente que Lula mordeu a isca.

    Uma vez estabelecido um confronto direto com o presidente brasileiro, Musk intensificou as postagens. E passou também a dar alcance internacional a parlamentares bolsonaristas, que tiveram suas postagens reproduzidas pelo empresário.

    Indiretamente, o fator Musk impactou até no caso Marielle Franco, na visão de líderes governistas.

    A tese é que o embate entre Musk e o Supremo Tribunal Federal (STF) serviu de combustível para os deputados que queriam votar contra a manutenção da prisão de Chiquinho Brazão, suspeito de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora.

    Até uma ala do Centrão reagiu negativamente e culpou Lula jogar lenha na fogueira, apontou apuração do analista da CNN Pedro Venceslau.

    Hoje, aliados de Lula amanheceram com um tom bem diferente daquele que predominava nos bastidores na tarde de ontem.

    A máxima, agora, é que Lula deve ignorar Elon Musk, deixá-lo falando sozinho. Que o melhor é evitar o confronto direto, para que toda a polêmica sobre os ataques do empresário esfrie. Governistas falam em virar a página, embora os efeitos de todo esse episódio persistam.

    Para uma fonte próxima ao presidente ouvida pela CNN, Lula não pode “deixar seu lugar institucional” para “bater-boca” com Musk. O que não significa simplesmente permitir que o bilionário faça o que bem entender.

    Mas a resposta às atitudes dele, segundo aliados do presidente, deve ser pelas instituições brasileiras e não pelo chefe do Executivo.