Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Com troca na defesa, delação de Vorcaro entre em modo 'vai ou racha'

Saída de advogado pode significar insatisfação com as conversas ou eventual conflito de interesses

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A notícia sobre a decisão do advogado José Luís de Oliveira Lima de deixar a defesa do Daniel Vorcaro abre dois caminhos possíveis para a negociação de uma delação do dono do Banco Master.

A troca pode significar uma última tentativa do banqueiro de vencer as resistências a um acordo, trocando a cabeça de seu time de negociação. Mas pode ser também um indício de um cenário totalmente oposto: o de que o banqueiro resolveu falar. E acertou alguém na carteira de clientes de seu advogado.

Oliveira Lima, que é conhecido como Juca, é um dos maiores criminalistas do país. Acumula em seu currículo o atendimento a inúmeras figuras importantes do meio político, em todos os campos ideológicos.

 

Sua bagagem engloba desde a defesa do ex-ministro José Dirceu no julgamento do mensalão até a de Walter Braga Netto na trama golpista, passando ainda pela delação de Léo Pinheiro, dono da OAS, na Lava Jato.

Seja como for, a mudança na defesa sugere que a negociação da delação de Daniel Vorcaro entrou no modo “vai ou racha”. Se o banqueiro falhar em fornecer uma proposta de fato mais robusta à Procuradoria-Geral da República, a tendência é que as conversas tenham o mesmo destino daquelas que vinham sendo feitas com a Polícia Federal.

Mas, caso ele tenha guardado alguma carta na manga, a hora de mostrá-la é agora.

Por enquanto, o clima nos bastidores – seja na PGR ou no Supremo Tribunal Federal – ainda é de certo ceticismo. Para convencer as autoridades a abraçarem um acordo, Vorcaro provavelmente terá de entregar bem mais. Seja em revelações do esquema que embasou a fraude do Banco Master ou no ressarcimento de recursos desviados aos cofres públicos.